Janeiro 2021 ~ MISSÕES CRISTÃO

Por que eu - Nasci?


Por que eu - Nasci? 

Um comentário Antropológico

APONTAMENTOS SOBRE O LÓCUO 6 DO LIVRO “DOGMÁTICA CRISTÔ DE CARL E. BRAATEN E ROBERT W. JENSON, SÃO PAULO: SINODAL, 1990 – PP. 324-341

O SER HUMANO

Começaremos este estudo, justificando que foi escolhido o termo “co-criador criado” para articular o que significa a humanidade sob a vontade de Deus. Este termo, segundo o livro aqui comentado, fala de dependência, de poder e autoridade dados por Deus e de liberdade dentro da finitude.

A questão do destino humano aparece-nos como uma compreensão primordial para este estado humano de “co-criador criado”. Comenta-se que Nathan Scott aponta corretamente para a intenção da estória cristã da humanidade: contar-nos quem o ser humano realmente é e lembrarmos que toda a criação e Deus o Criador apóiam os seres humanos em seus esforços para tornar-se mais plenamente o que são criados para ser. A antropologia cristã expõe uma compreensão distinta de quem e do que o ser humano é.

O ser humano é criado com um destino. Assim, o autor do livro, explica que foi utilizado este termo “destino” para incluir as conotações de “vocação” ou “chamamento”, bem como para apontar para um caráter intrínseco que constitui uma dimensão da “natureza” criada do ser humano. Consequentemente, explica-nos o autor, “destino” tem as nuanças de dom, determinismo, propósito e alvo. A primeira tarefa da concepção distintamente cristã do ser humano é tornar claro que o homo sapiens tem um destino, e que se trata de um destino elevado. A Antropologia cristã não se isola de qualquer outra fonte de conhecimento sobre o ser humano – das ciências, da experiência de todas as espécies, literatura ou arte. O que a concepção cristã tem a dizer sobre o ser humano está no contexto do conhecimento recolhido destas outras fontes.

Não obstante, não se pode permitir que conhecimento algum de outras fontes oculte ou enfraqueça a seguinte asserção fundamental da fé cristã: como pessoas criadas por Deus, somos seres cuja origem e destino estão vinculados com este Deus. Tudo que é dito sobre as implicações da doutrina da criação ex nihilo certamente aplica-se aqui: que o ser humano é causado, e não gera a si mesmo, e que é criatura, não criador. E esta verdade comentada no livro Dogmática Cristã, desemboca no fato de que, a menos que percebamos o destino divinamente ordenado do ser humano, deixamos, desde o princípio, de compreender quem e o que o homo sapiens é. Somente o pressuposto do destino elevado confere sentido ao discernimento do pecado e do mal nos seres humanos.

Desta forma, sem o real conhecimento, ou talvez seja melhor colocar, o real reconhecimento de seu estado real, o homem ou a mulher da atualidade está como alguém que é condenado à morte em um julgamento que não compreende porque cometeu um crime absurdo que não reconhece.

O tema através do qual reunimos as várias afirmações da tradição cristã sobre a criatura humana e que expressa o sentido delas é o do co-criador criado. Este tema, como o próprio autor de Dogmática Cristã o descreve, é novo em sua formulação. Formalmente, o destino humano é levar à consumação a posição dada ao ser humano na criação – colocado por Deus o Criador na posição preeminente do ecossistema.

A espécie humana é claramente distinta de todas as outras espécies, mas também está intimamente relacionada ao resto da criação. Esta relação é em parte externa; o homo sapiens depende de todos os outros elementos do ecossistema, assim com a espécie contribui reciprocamente para o mesmo ecossistema. Mas ela é também interna. Os elementos do mundo, convergindo naquela “sopa primordial” da qual surgiram todas as criaturas vivas, são os elementos do ser humano; cada átomo do corpo humano esteve em outro lugar no universo antes que veio a repousar no homo sapiens. Percebe-se com isto, a afirmação de que o homem faz parte do todo do universo, das coisas criadas.

Mas, como exposto na obra aqui apreciada, o homo sapiens é distintivo no tocante a seis características importantes: consciência, autoconsciência, a capacidade de fazer avaliações, a capacidade de tomar decisões com base nestas avaliações, a capacidade de agir livremente de acordo com estas decisões e a capacidade de assumir responsabilidade por tal ação. Tal ação autoconsciente e livre torna-se uma espécie de atividade criadora, um co-criador com Deus. Porém, lembrando-nos dos nossos limites, diz-nos o texto o seguinte: os seres humanos não podem atribuir-se arrogantemente o mérito de serem co-criadores; foram criados co-criadores.

Ser co-criador significa que o homo sapiens toma parte consciente e responsavelmente na formação do mundo e seu desdobramento em direção a sua consumação final sob Deus. O criar de Deus é a norma para o co-criar humano – não no sentido de que o homo sapiens deva igualar sua atividade à de Deus, mas, antes, no sentido de que a atividade humana é perversa se não se qualifica afinal como participação na extensão da vontade primordial de criação de Deus. Expresso desta maneira, o status criado do ser humano é completamente escatológico; isto é, é um desencadeamento, não um dado plenamente desenvolvido que simplesmente tem de ser reiterado e copiado ao longo do tempo. O homem não é um ser já completo em perfeição criativa e criadora, ele estava em fase de desenvolvimento pessoal em Adão, que perdeu o rumo da desenvoltura humana através do pecado, e que em Cristo, o modelo real e já perfeito, encontramos o rumo para o pleno desenvolvimento, porém, com uma melhor visão, pois o nosso modelo, Cristo, é o Homem com perfeição criativa e criadora.

Nos é sugerido, desta maneira, que este caráter de co-criador é o que significa ser “à imagem de Deus”. Ser apto a tomar decisões autoconscientes e autocríticas, agir com base nestas decisões e assumir responsabilidades por elas – estas são as características das quais é composta a imagem de Deus em nós.

Quando os seres humanos ponderam seu status de co-criadores, reconhecem que ele inclui a liberdade de conceber ações e executá-las. Tornando assim, ao meu ver, o ser humano mais responsável, aliás, Deus é Deus responsável por Seus próprios atos, assim, como imitadores de Deus, devemos nos responsabilizar por nossos próprios atos também! Há então a responsabilidade por viver com as consequências da ação, ainda que comprovem ser indesejáveis.

Ser co-criador significa que precisamos continuar a viver com a decisão e exercer nosso caráter de co-criadores responsáveis, que a decisão comprove ser desejável ou indesejável.

Agora, provém disto uma questão também fundamental, como descrito na obra aqui comentada, que é o fato de que tal decisão livre e responsável é limitada. Ao exercer a imago Dei, ao por em prática nosso caráter de co-criadores, esbarramos no fato de nosso ser-criado. Daqui vem a consciência de que, apesar de sermos livres no ato co-criador, temos os limites impostos por sermos criaturas!

Quando ponderamos tais considerações, vimos a saber que nosso pecado é tanto nossa compreensível relutância em aceitar nosso status de co-criadores quanto nossa execução falha de nosso caráter de co-criadores. Este pecado é tanto original quanto atual.

Surge, desta discussão, uma outra problemática, que é a da condição primordial do ser. Na atualidade é quase universalmente sustentado entre os teólogos que as narrativas e conceitos que temos a respeito de Adão e Eva no paraíso são lendas e mitos. A idéia de seres humanos vivendo em um abençoado estágio primordial antes da queda é encarada como especulação poética, não como história. Porém, poesia ou não, estes mitos nos contam muita coisa essencial à antropologia cristã. Só uma criatura de estatura muito grande seria descrita como “caída”. Como diz Tillich: “Simbolicamente falando, é a imagem de Deus no homem que oferece a possibilidade da queda.


Somente aquele que é imagem de Deus tem o poder de separar-se de Deus.”

Toda a riqueza da criação, na terra e no mar, estava pronta, e ninguém estava lá para compartilhar dela. Quando toda esta beleza natural estava formada, então, e só então, era apropriado que o ser 
humano entrasse em cena. Falando sobre isto, Gregório de Nissa (século IV) diz: “...não era de se esperar que o governante aparecesse diante dos súditos de seu governo; no entanto, quando seu domínio estava preparado, o próximo passo era que o rei se manifestasse. (...) Por esta razão o homem foi trazido ao mundo por último, depois da criação...”

Não é popular, hoje em dia, falar do ser humano como “coroa da criação”. Mas, partindo dos princípios expostos no capítulo aqui mencionado do livro Dogmática Cristã, a conclusão a ser tirada é de que os seres humanos são dotados de um nobre destino, mas também são investidos de grande responsabilidade, e desta forma, creio poder referir-me ao homem como “coroa da criação”!

A imagem de Deus (imago dei) apresenta uma imagem fundamental do ser humano como ser-com-um-destino. Alguns teólogos até sugeriram que o termo fosse extirpado do vocabulário teológico, tão frustrante é sua interpretação. A exegese de Gênesis é ela mesma o campo de batalha de variadas interpretações da imago dei. Clauss Westermann arrola os seguintes grupos de opiniões existentes na história da interpretação (porém, apoiando a quinta opção):

1) Aqueles que distinguem entre semelhança natural e sobrenatural com Deus;
2) Aqueles que definem a semelhança em capacidades ou aptidões espirituais;
3) Aqueles que interpretam-na como forma externa;
4) Aqueles que discordam incisivamente de 3;
5) Aqueles que interpretam o termo como denotativo de que o ser humano é o correlativo de Deus, alguém que corresponde a Deus;
6) Aqueles que interpretam a imago como o status do ser humano como representante de Deus na terra.

Os exegetas do N.T. muito pouco fizeram a respeito do termo, mas a principal conclusão é de que Cristo é a imagem de Deus (eikon tou theou) e, portanto, a imagem para dentro da qual são formados os seres humanos.
Podemos inferir na história do conceito, como nos é apresentado em Dogmática Cristã, duas categorias, ou dois grupos de interpretações. No primeiro grupo, podemos colocar os apologetas do século II, que identificavam a imago com a liberdade da vontade, a capacidade para a bondade, a responsabilidade moral e a razão, e também, o domínio humano sobre a terra.

O segundo grupo de intérpretes considera que a imagem de Deus se refere ao fato da relação com Deus, de co-responder a Deus, de ser o correlativo de Deus, como diz Westermann. Agostinho é o representante monumental desta posição, pois ele aponta para o caráter trinitário da vida psíquica humana como uma grande analogia (analogia entis) da via triúna de Deus. O ser humano não foi, como os outros animais, “criado segundo a sua espécie”, mas, antes, criado à imagem e semelhança de Deus. Por isso, Deus não disse: “Seja feito o homem”, mas antes: “Façamos o homem”. Também não disse: Segundo sua espécie”, mas segundo “nossa imagem” e “semelhança”.

Lutero, mencionando sobre este assunto, disse que Adão tinha a imagem de Deus em seu ser e que não somente conhecia a Deus e cria que ele era bom, mas que também vivia uma vida que era totalmente piedosa; isto é, não tinha medo da morte ou de qualquer outro perigo e estava contente com o favor de Deus. Nesta forma ela se revela no exemplo de Eva, que fala com a serpente sem medo algum. A serpente é símbolo da morte, e antes do pecado, o ser não teme a morte, mas teme a Deus, porém, depois da queda de Adão todos os homens propagados segundo a natureza nascem com pecado, isto é, sem temor de Deus, sem confiança em Deus e com concupiscência. Temor e confiança em Deus são os critérios da imago dei por sua presença e do pecado por sua ausência. Desta forma, o homem sem a imagem de Deus, caracteriza-se pelo pecado, e o homem que tem, por Cristo, a imagem de Deus, é caracterizado pelo temor e pela confiança em Deus.

Lutero critica Agostinho e outros teólogos antigos porque suas descrições da imagem de Deus fomentam “obras”. Westermann critica boa parte da tradição porque ela fala de atributos ou qualidades da natureza humana como a imago em vez da relação com Deus. E é assim que o dilema sobre a imago dei seguiu-se história afora.


No desenvolvimento destas discussões sobre o homem, surge também uma questão de importância fundamental à antropologia, que é a relação entre espírito e matéria na criatura humana. A constituição do ser humano foi objeto de grande preocupação para a tradição cristã. Gregório de Nissa expressa o pensamento de muitos teólogos antigos ao falar do ser humano como fator intermediário entre o âmbito terreno, animal, e o âmbito espiritual de Deus. Ao que parece, passa-se a ver o homem como um intermediário, dentre a criação, entre Deus e as demais coisas criadas.

Podemos resumir um volumoso corpo de material histórico dizendo que “espírito” (pneuma, ruah) se refere em geral à própria vida, à distinção de “corpo”, enquanto que “alma” (psyche, nefes) se refere a vida assim como ela ocorre em um organismo particular, concreto, sendo este organismo o meio da ação da alma. Todos os corpos humanos possuem espírito, e o espírito manifesta-se dentro da alma do indivíduo.
Falamos de uma visão “tricotômica” ao falarmos de corpo, alma e espírito, enquanto que uma visão “dicotômica” somente conhece corpo e alma. A concepção dicotômica, segundo o livro comentado neste trabalho, tem prevalecido na teologia cristã.


A “preexistência” sustenta que as almas vêm a este mundo a partir de algum material de alma preexistente. E, penso eu, que este é até um dos motivos que me levam a crer mais na “tricotomia” do que na “dicotomia”. Mas, Lutero, por exemplo, já as contestou porque acreditava que a criatura humana é um ser unitário perante Deus.

Em acréscimo a esta consideração teológica, a compreensão contemporânea do ser humano e da estrutura da personalidade humana não permite uma perspectiva dicotômica ou tricotômica, exceto metaforicamente. Requer-se uma perspectiva evolutiva moderna. Espírito ou mente e corpo ou matéria são vistos como parte do mesmo processo, e não como entidades separadas para a modernidade. Em termos fisiológicos, o espírito é uma função do cérebro que não é nem imaterial nem não-material, mas que é matéria na forma que pode tornar-se espírito. Robert Francoeur descreve isto como uma espécie de “monismo evolutivo”.

Para os teólogos na tradição da Reforma, o ser humano é uma criatura una, uma criatura da natureza, criada com uma relação especial com Deus o Criador e com a capacidade de perceber esta relação e de viver uma vida de resposta a Deus.
Mas, desencadeou-se, daqui, um outro fator conflitante, mencionado neste livro Dogmática Cristã, que é a complexidade do homem com a queda e o pecado original (“status corruptionis” – estado de corrupção).

Conforme o mito da queda, a imago dei está parcialmente intacta mas gravemente danificada, de forma que uma restauração se faz necessária. Algumas importantes tradições orientais, tais como as da Igreja siríaca, consideravam o pecado uma causa da queda, não sua consequência. Seguindo por este ensinamento, chegamos a uma resposta impressionante, talvez mais do que impressionante, exótica, que é a conclusão, então, que primeiramente Adão perdeu a imagem de Deus, daí sim, pecou. Tais concepções são estranhas à tradição ocidental e à teologia da Reforma em particular.

O pecado e o mal não devem ser identificados com a humanidade, mesmo após a queda. Para os luteranos, isto é afirmado no primeiro artigo da Fórmula de Concórdia. Para Johann Gerhard, é quando a imago se refere à justiça e santidade que a imagem de Deus é perdida na queda.

Surge, daqui, a necessidade de restauração. Deus, em Jesus Cristo, restaurou a humanidade à reconciliação com seu Criador. A recuperação da dimensão da escatologia na fé cristã, que teve lugar desde 1900, nos lembrou que a restauração da humanidade não é um retorno ao Éden. Pois ao que percebe-se, o qual já foi comentado acima, Adão não era perfeito, estava se desenvolvendo quando foi barrado pelo pecado, enquanto Cristo venceu o pecado e a morte, tornando-se em tudo o modelo perfeito e completo à nossa restauração final.


As contestações à antropologia cristã, comentadas na obra aqui apreciada, são de grande valia para o desenvolvimento deste assunto. A concepção cristã do ser humano é atacada de todos os lados. E, vejo que quando somos atacados, pensamos em nos defender, e assim, surgem as certezas diante das dúvidas.

Uma das contestações mais perversas e potencialmente devastadoras, vem da incapacidade amplamente difundida de aceitar a elevada concepção do destino humano como o expõe a teologia cristã. Dogmática Cristã menciona aqui duas fontes desta contestação: o conhecimento científico emergente e a concepção de que o mal é intrínseco à natureza humana.

Nosso conhecimento emergente de nós próprios desafia nossa capacidade de aceitar-nos como criaturas à imago dei. Pensamos nas descrições de Gregório de Nissa: pureza, liberdade, da paixão, amor, intelecto. Podem os seres humanos olhar hoje para si mesmos e ler a imagem de Deus a partir da lista destes atributos?


Assim, o autor do livro aqui comentado assevera que, dizer, com os luteranos e com Westermann, que uma olhadela introspectiva em nós mesmos nunca revelará atributos da imago, que precisamos, em vez disso olhar para a nossa relação total com Deus enquanto criaturas correspondentes, que dependem de Deus e ainda assim se rebelam contra a dependência – também isto não é de muito auxílio em nosso dilema. Enquanto nos virmos em toda a nossa complexidade servindo a mecanismos imediatos de sobrevivência, em níveis diversos, não será possível ver-nos como criados à imago dei.

Muitos críticos acusaram o cristianismo de uma irresponsabilidade ecológica essencial, quer com respeito ao ecossistema natural e físico, quer com respeito à rede intrapessoal de relações. A antropologia cristã foi acusada de antropocentrismo, de uma preocupação por dominar (às vezes em atitudes destrutivas, irresponsáveis) e de uma compreensão de que nada tem valor além do ser humano.

Porém, como nos é assegurado no livro que cá comentamos, estão em andamento esforços para remodelar certos aspectos da concepção cristã na direção da responsabilidade ecológica em relação ao mundo físico e ao mundo dos seres humanos à nossa volta. De forma alguma devemos separar-nos dos ecossistemas em que vivemos, nos movemos e temos nosso ser. Para muitos cristãos, não é coisa fácil manter a glória de Deus como Criador e, ao mesmo tempo, reconhecer o mérito dos processos imediatos da criação.

Um dos problemas mais lamentáveis na tradição cristã de pensamento é o da sexualidade e das relações entre sexos. Há pouca dúvida de que com demasiada frequência a sexualidade e a relação homem/mulher são descritas de formas que rebaixam o corpo, o elemento físico da vida humana, e a mulher. Gregório de Nissa escreveu que, já que Paulo nos escreveu que em Cristo não há homem nem mulher, a criação original não deve ter incluído diferenciação sexual. Já que o protótipo do ser humano, Cristo, não permitiu a sexualidade, a diferenciação sexual deve ser subsequente à queda, juntamente com a multiplicação sexual. Gregório ainda diz que a sexualidade existia no Éden, mas era governada pela vontade, não pelo desejo ou pela paixão. O desejo sexual no casamento não era pecado, mas era o transmissor do pecado. Martin Chemnitz parafraseia Agostinho na seguinte passagem e aceita as idéias de Agostinho como normativas: “No matrimônio há duas coisas que são boas e de ordenação e de instituição divinas, mas há também um desejo no casamento sem o qual não há multiplicação, e por causa deste desejo as crianças nascem em pecado.” A partir desta idéia, o pecado original parece ser passado de pessoa a pessoa no ato de desejo sexual. Aqui eu gostaria de fazer uma pergunta aos “sacerdotes” romanos:


“se, apesar de conseguir-se viver no celibato, não se consegue extinguir o desejo, como dizer que um padre, ou até mesmo o papa é melhor do que outro homem qualquer?” desta maneira, os problemas que teve nossa tradição ao interpretar as relações homens/mulheres são bem conhecidos.

Enfim, este capítulo do livro Dogmática Cristã termina, dizendo seu autor que, como sugeriu o exame em seu livro, o ser humano foi criado material e este material desenvolveu o espírito. Denegrir o terreno é enfraquecer os fundamentos materiais do espírito. E ele ainda reconhece que esta percepção ainda precisa ser incorporada de uma forma lúcida, que possa capacitar a doutrina cristã a conceber a unidade espírito-matéria da criação.

“Se o homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável” (Sêneca, filósofo latino, 4 a.C. – 65 d.C.)





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O TITANIC E A PREDESTINAÇÃO

Homens de todas as tribos sempre gostaram de construir colossos, prédios, pontes, torres, arranha-céus, monumentos cada vez maiores. Sejam quais forem os objetivos, essas construções representam sinais exteriores de riqueza e poder, produto do orgulho e da vaidade. A primeira materialização desse desejo nato ocorreu com a construção da Torre de Babel, com o que pretendiam chegar aos céus. Deus não permitiu essa afronta.

Torre de Babel 

"E disseram [os descendentes de Noé] uns aos outros: Edifiquemos uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra" (Gênesis 11.4). Desejavam construir uma cidade-império, dominadora, poderosa, única: uma só língua, um só governo. Mas Deus não quis que o mundo ficasse sob a direção de um só homem, ou de uma elite. Ainda hoje nações econômica e militarmente poderosas esforçam-se por exercer domínio sobre o resto do mundo. A intenção de Deus é que haja equilíbrio de forças, equilíbrio nas economias, na distribuição de rendas, com oportunidades para todos. Há alguns anos havia duas potências mundiais, duas torres de Babel, dirigindo os destinos da humanidade: a antiga União soviética e os Estados Unidos. A primeira, desmantelou-se, fragmentou-se o temível império em várias nações independentes e autônomas, com suas bandeiras, hinos, cultura, governos. A segunda, os Estados Unidos da América, tem pago um preço altíssimo por sua supremacia política, econômica e militar.

Colosso de Rhodes

A começar pelas Sete Maravilhas do Mundo Antigo, destacamos "O Colossos de Rhodes", em bronze com base de mármore branco, na Ilha de Rhodes, Grécia, com 46 metros de altura. Concluída em 282 a.C., após doze anos de trabalho, a gigante estátua foi destruída juntamente com a cidade, por um forte terremoto, em 226 a.C.

Estátua de Zeus 

A majestosa "Estátua de Zeus", "deus dos deuses", com quinze metros, feita de marfim e ébano com incrustações de ouro e pedras preciosas, em cuja homenagem os Jogos Olímpicos da Antiguidade eram festejados. Localizava-se no Templo de Olímpia, na Grécia. A obra foi concluída em 447 a.C. e destruída por um incêndio 922 anos mais tarde.

O Farol de Alexandria

Monumento dedicado aos deuses salvadores Ptolomeu Soter e sua esposa Berenice. Servia de auxílio aos navegantes. Inaugurado em 270 a.C., na antiga ilha de Faros, agora um promontório na cidade de Alexandria no Egito. Durou 1.750 anos. Seriamente danificado por terremotos, foi finalmente destruído em 1.480. Esse farol era útil aos navegantes.

Templo de Ártemis (Diana)

Esse templo, em homenagem à deusa dos bosques (Ártemis), localizava-se na cidade grega de Efésio, na Turquia; foi concluído no ano de 550 a.C. e levou 120 anos para ficar completamente pronto. A sua altura é desconhecida, mas tinha 80 metros de largura e 130 metros de profundidade. A escultura da deusa Ártemis era em ébano, ouro, prata e pedra preta. Durou 194 anos, até ser destruído pelos godos.

Túmulo de Mausoléu

Com 50 metros de altura, construído em mármore e bronze por Artemísia, viúva de Mausolo, em Halicarnasso, Caria, hoje Turquia. A construção durou dez anos e nela trabalharam 30.000 homens. Provavelmente, destruído por um terremoto entre os séculos XI e XV.

Pirâmides do Egito

Sepulturas dos faraós construídas há mais de 40 séculos na Planície de Gizé, a 15 km do Cairo, capital do Egito. As mais célebres são as de Quéops (137,2m), Quéfrem (136,5m) e Mikerinos (66m), nomes de três reis (pai filho e neto). Das sete maravilhas da antiguidade somente as pirâmides do Egito ainda existem, apesar dos estragos causados pela ação do tempo. Serviram de sepultura dos faraós, que acreditavam poder subir até os seus deuses, no céu, se seus corpos fossem assim sepultados. As pirâmides continuam sendo objeto de estudos, pois abrigam muitos mistérios.

Jardins Suspensos da Babilônia

Segundo uma das versões, os Jardins foram construídos em 605 a.C. por Nabucodonosor II em homenagem a sua mulher, Amitis, no sul do Iraque. Outra versão diz que foram construídos por Semíramis. Na verdade, eram seis montanhas artificiais, no sul do Rio Eufrates, 50 km ao sul da atual Bagdá, Capital do Iraque. Nos terraços, construídos com trabalho escravo, foram plantadas palmeiras e flores tropicais, para deleite de seus proprietários. Hoje, não existe qualquer vestígio desses jardins.

Os homens continuaram dando expansão aos seus desejos de mostrar ao mundo sinais de riqueza, poderio militar e econômico. Na era da modernidade, destacam-se os arranha-céus, as grandes estruturas. Algumas dessas obras são apreciadas pelo bom gosto de seus idealizadores, pela beleza de suas formas; outras, apenas por suas gigantescas proporções. Algumas, necessárias; outras, como na Antiguidade, apenas um bem supérfluo, sem nenhuma utilidade prática. Vejamos algumas dessas obras dos tempos modernos.

Torre Eifell

A Torre Eifell de Paris, conhecida como "A Dama de Ferro", 10.100 toneladas, 320 metros de altura, incluindo a antena, duas vezes mais alta do que a grande pirâmide do Egito, foi construída em alguns meses, em 1889, e consumiu 15.000 barras de ferro. Seu nome é uma homenagem ao engenheiro civil francês Gustave Alexandre Eifell, projetista e construtor da obra.

O Muro de Berlim

A construção do Muro de Berlim, de 155 quilômetros, que separava Berlim Ocidental de Berlim Oriental, iniciou-se em 13 de agosto de 1961, e começou a ser derrubado a partir de 9 de novembro de l989, quando pela primeira vez, em 28 anos, os cidadãos da antiga União Soviética puderam visitar seus irmãos do lado ocidental e democrático. A queda do Muro, símbolo da guerra fria e da divisão do mundo em duas potências antagônicas, marcou a falência do sistema comunista soviético. Dados revelam que durante a existência do "Muro da Vergonha", como ficou conhecido, 75.000 alemães foram presos, e 809 mortos durante tentativa de atravessar na direção oriente-ocidente.

Empire State Building

Com 381 metros de altura. Em 1950 foi colocada na estrutura uma antena de televisão de 67 metros, fazendo com que a altura total do edifício atingisse 448 metros. O Empire State continuou sendo o prédio mais alto do mundo até 1971, quando foi terminada a primeira torre do World Trade Center, também em Nova York. Com a destruição das torres gêmeas, em 11 de setembro de 2001, por atos terroristas, o Empire voltou a ser o mais alto edifício do mundo.

World Trade Center

As torres gêmeas de Nova York - Com uma altura, cada uma, de 411 metros, com 110 andares, simbolizavam, em Nova York, o poder econômico da mais poderosa nação do mundo, os Estados Unidos da América. Superava o Empire State Building, com 381 metros, sem a antena. Terça-feira, 11 de setembro de 2001, uma data que jamais será esquecida, essas torres foram destruídas, deixando um saldo de 2.823 vítimas, trinta por cento das quais jamais poderão ser identificadas, tamanho o calor da explosão do combustível nos aviões utilizados pelos sequestradores.

Titanic

Repousa no Oceano Atlântico, a 4.126 metros de profundidade, desde a madrugada do dia 15.04.1912, o que restou das 46,329 toneladas do navio Titanic, 270 metros de comprimento, 28 metros de largura, o "Navio dos Sonhos", o "Palácio Flutuante". Sua construção foi concluída em maio de 1911, em que foram empregados os mais modernos sistemas de segurança, ao custo de 400 milhões de dólares. Antes de iniciar sua viagem inaugural da Inglaterra para Nova York, alguém teria feito um infeliz prognóstico: "Nem Deus afunda o Titanic". Não desejamos concluir, e não podemos fazê-lo, que Deus foi o autor da tragédia. Mas asseguramos com certeza que bastou a ponta de um iceberg para nocautear o gigante, e fazer naufragar com ele 1.522 almas.

A maioria dessas obras gigantescas, a começar pela Torre de Babel, caiu por terra. Muitas delas foram produto da vaidade humana, uma vaidade que exige demonstração pública de poder e riqueza. Nos tempos modernos, há uma corrida entre nações ricas para ver quem constrói torres cada vez mais elevadas, complexos comerciais cada vez maiores. A verticalização dos edifícios comerciais decorre, também, de uma exigência do mercado imobiliário, considerando as limitações de espaços nas grandes metrópoles. Contudo, por trás dessa imperiosa necessidade de ampliação dos espaços para atender a demanda, há o desejo de colocar o nome da empresa, da família, da nação num lugar bem alto, mais alto do que todos, para que todos vejam, admirem, reverenciem, aplaudam.

Noventa anos separam o naufrágio do navio Titanic, no Oceano Atlântico, da tragédia do World Trade Center, em Nova York, e milhares de anos separam estes da Torre de Babel. Tais fatos revelam-nos que não há um só lugar completamente seguro em nosso planeta. Por isso devemos fazer tudo para glória de Deus, porque "se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela" (Salmos 127.1). Os homens têm construído casas e edifícios com todos os requisitos de segurança: portas de aço, guardas, sistema de alarme, grades de fero, cães amestrados, mas se esquecem de fazer um seguro para a vida eterna; temem os que podem matar o corpo e não podem matar a alma, mas não temem Aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo (Mt 10.28).

Resgato a imagem do Titanic para ajudar numa outra reflexão. Há muitos séculos fazemos a seguinte pergunta: o crente pode perder a salvação? E há muitos séculos uns dizem que pode, outros, que não pode. De um lado, os que consideram a salvação imperdível; do outro, os que consideram plenamente possível o cair da graça. Vejamos um resumo dessas doutrinas.

CALVINISMO - Sistema teológico elaborado pelo teólogo francês João Calvino (1509-1564). Os pontos fundamentais do seu ensino são:

(1) Depravação total: Os homens nascem depravados, não lhes sendo possível, nesse estado, escolher o caminho da salvação.

(2) Eleição incondicional - Somos escolhidos por Deus para salvação, independente de qualquer mérito de nossa parte.

(3) Graça irresistível - Os escolhidos não resistirão à graça salvadora do Criador, em razão da atuação do Espírito Santo, convencendo-os do pecado.

(4) Expiação limitada aos eleitos - O alto preço do resgate, pago por Jesus na cruz, alcançou apenas os eleitos.

(5) Perseverança dos crentes - Nenhum dos eleitos perderá a salvação; irão perseverar até o fim, pois estão predestinados ao céu desde a fundação do mundo. Em resumo, o movimento teológico calvinista defende a absoluta soberania de Deus, e a exclusão do livre-arbítrio. Deus concede aos eleitos graça eficaz e irresistível, que permite ao homem continuar perseverante por toda a vida.

ARMINIANISMO - Sistema teológico formulado pelo teólogo holandês Jacobus Arminius (1560-1609), em oposição à doutrina calvinista da predestinação, assim exposto:

1) Livre-arbítrio - Deus concedeu ao homem a capacidade de aceitar ou recusar a salvação que lhe é oferecida.

2) Eleição condicional - Deus elege ou reprova com base na fé ou na incredulidade em Jesus Cristo.

3) Expiação ilimitada - Cristo morreu por todos, e não somente pelos eleitos.

4) Graça resistível - É possível ao homem rejeitar a Graça de Deus e, em conseqüência, perder a salvação.

5) Decair da Graça - Os salvos podem perder a salvação se não perseverarem até o fim.

Agora, tomemos por empréstimo a imagem do Titanic para melhor compreendermos a eleição incondicional e prévia dos salvos, a restrição ao acesso da cruz de Cristo, por um lado; e por outro, o livre-arbítrio, a eleição condicional, o acesso à cruz a todos os que aceitarem o Evangelho. A vida aqui na terra é uma viagem inaugural que tem começo e fim. O homem está avariado pelo iceberg do pecado; se continuar no mesmo rumo, sem mudar de atitude, sem mudar a rota, fatalmente será destroçado.

Em determinado momento, um enorme navio, o navio dos predestinados, mais belo e mais possante, baixa âncoras junto ao Titanic dos condenados. O Comandante, de posse de um potente megafone, anuncia que está ali para salvar vidas. Imediatamente, com auxílio de roldanas, faz descer uma enorme prancha de madeira em forma de cruz, a fim de permitir o acesso dos condenados ao navio da predestinação. "Venham! Venham, meus escolhidos; aqui encontrarão descanso para suas almas", diz o Comandante.

A água, que inicialmente invadira cinco dos 16 compartimentos estanques, agora toma conta das fornalhas, invade os alojamentos da terceira classe e faz submergir um terço da proa. As 1.954 janelas com vidro vão-se quebrando pouco a pouco, e os estilhaços provocam profundos ferimentos nas pessoas. Ao ouvirem o chamado, nem todos atendem. São os que ainda alimentam vãs esperanças, um bom número corre para iniciar a travessia. Todavia, ouvem uma ordem: "Não! Não venham todos! Só os escolhidos poderão passar por essa cruz. Por alto preço os comprei. Minha cruz não suporta o peso de tantas vidas, e o meu barco tem capacidade limitada".

Então, o Comandante foi chamando um a um pelo nome; "Pedro, Wagner, Marcos, Marcelo, Norberto, venham, vocês são os meus escolhidos desde o começo, desde a partida do navio do porto de Southampton, na Inglaterra, no dia 10 de abril". E assim, os devidamente chamados e previamente escolhidos, fizeram a travessia, e agora estavam fora de perigo no barco da predestinação.

Um dos salvos, já acomodado no navio dos eleitos, perguntou: "O Senhor deixará morrer aqueles?". E ouviu a seguinte explicação:

"Meu bom eleito. Aqueles que agora descem às águas profundas já estavam condenados de há muito. Com você e com todos que estão aqui comigo usei de misericórdia, porque uso de misericórdia com quem quero. Com aqueles usei de justiça. Agora você sabe que uso de justiça e de misericórdia. Eu não os afoguei; eles é que se afogaram em suas iniqüidades".

O predestinado ainda tentou conseguir mais explicação, mas o Comandante cortou a conversa, categórico. Olhou-o nos olhos, colocou a mão sobre seu ombro, e disse: "É a minha Soberania, filho, a minha Soberania".

Em seguida, o Comandante deu partida ao enorme navio, rumo a um porto seguro. Os eleitos ainda tiveram tempo de olhar para trás e ver o Titanic partir-se ao meio, ficar com a popa na vertical e iniciar seu sinistro caminho nas águas geladas, rumo às fossas abissais.

Numa outra versão, o navio da predestinação se aproxima do Titanic; a cruz é estendida, e o Comandante convida todos, e todos os que ouviram e aceitaram o convite ficam perfilados e começa a travessia. "Venham todos - diz o Comandante. Todos serão acolhidos no meu navio. Minha cruz suporta o peso de todas as almas, as quais resgatei por alto preço. 

Usarei de justiça com os que rejeitarem o meu convite, mas com misericórdia com os que atravessarem essa cruz. No meu navio vocês estarão predestinados à salvação. Venham, benditos; todos os que vierem são meus eleitos. O navio em que vocês estão está avariado, prestes a afundar. É o tempo do fim. Coloco diante de vocês o caminho estreito e difícil da cruz. Não será fácil a travessia. Os ventos são contrários, mas eu lhes sou favorável; tenham os olhos fixos em mim; não olhem para trás; cada passo à frente é uma conquista; venham! Muitos já chegaram até aqui; não desanimem; prossigam".

Um dos salvos, indagou: "Comandante, por que ficaram aqueles?". O Comandante respondeu: "Porque não deram ouvidos ao meu chamado. Aquele navio carrega muito ouro, prazeres e fantasias. O coração deles está nessas coisas. Usam do direito do livre-arbítrio para recusar a minha oferta de salvação. Com vocês, manifestei a minha misericórdia; com eles, minha justiça".

A água, depois de invadir as 159 fornalhas, chegou à primeira classe, a dos milionários. Caem as quatro chaminés de 19 metros. Diante da situação incontrolável e da iminente morte, ecoam gritos de desespero na escuridão. O gigante Titanic, nome dado em homenagem aos titãs da mitologia grega, partido ao meio e vencido, aponta sua popa na posição vertical, como que olhando de joelhos para o céu, e logo depois desaparece nas águas geladas.

O quadro apresentado revela no primeiro instante a posição calvinista da expiação limitada de Jesus, em que apenas os previamente eleitos serão salvos. O segundo quadro representa a posição oposta, o da expiação ilimitada, em que todos podem obter a graça da salvação.





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