2021 ~ MISSÕES CRISTÃO

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1. Deus Ama Você !

A BÍBLIA diz, "Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não vá para o inferno, mas tenha a vida eterna".




2. Se você deseja receber a Cristo, como seu Salvador eu te convido orar comigo agora.
"Senhor Jesus, eu preciso de Ti: obrigado, por morrer na cruz pelos meus pecados, e eu te convido agora a entrar no meu coração e me dar a vida eterna, obrigado Jesus !

O CAMINHO DA SALVAÇÃO


O CAMINHO DA SALVAÇÃO

 Todos precisamos de salvação. A vontade de Deus é que todos se salvem. Para consecução desse plano, Ele enviou seu Filho unigênito, “para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). O verdadeiro caminho é Jesus, que disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6). E Ele próprio convida o pecador para receber salvação: “Estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo” (Ap 3.20).

Primeiro passo

O homem deve reconhecer que é pecador; que está afastado de Deus pelo pecado; que está numa situação miserável, pois “TODOS PECARAM E DESTITUÍDOS ESTÃO DA GLÓRIA DE DEUS” (Rm 3.23). “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 Jo 1.8). Pela desobediência do primeiro casal o pecado entrou no mundo e com o pecado, a morte. O homem herdou de Adão e Eva a natureza pecaminosa. O pecado original estendeu-se por toda a humanidade como uma herança maldita, porque “semente gera semente da mesma espécie”. Jesus foi o único homem, gerado no ventre de uma mulher, que não foi contaminado pela semente danosa do pecado. Ele foi gerado pela semente de Deus, e como tal pôde pagar o preço de nossa redenção.

Segundo passo

Arrependimento. Neste passo, o homem reconhece que é pecador e toma a decisão de dar meia volta e seguir caminho diferente. João Batista dizia em suas pregações: “Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus” (Mt 3.2). Jesus iniciou o seu ministério chamando todos ao arrependimento (Mt 4.17). Não basta arrepender-se; é preciso deixar o pecado, deixar a mentira, o adultério, as palavras torpes, tudo o que estiver em desobediência a Deus.

“O QUE ENCOBRE AS SUAS TRANSGRESSÕES NUNCA PROSPERARÁ, MAS O QUE AS CONFESSA E DEIXA, ALCANÇARÁ MISERICÓRDIA” (Pv 28.13).

Terceiro passo

Aceitar Jesus como Senhor e Salvador: “Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus, e, em teu coração, creres que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm 10.9-10). A essência da salvação está neste versículo: fé, senhorio de Cristo e Sua ressurreição. “Confessar ao Senhor Jesus” não significa apenas aceitá-LO de viva voz, numa decisão pública. Compreende, também, levar uma vida cristã de obediência a Ele, em palavras e atos.

As conseqüências desses passos

Receberá perdão: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9).
Passará a viver uma nova vida: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17).
Será recebido como filho do Altíssimo: “Todos vós sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gl 3.26).
Receberá o Espírito: “Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3.16).
Salvar-se-á: “Quem nEle crê não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3.18).

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JONAS: O PROFETA FUJÃO


JONAS - O PROFETA FUJÃO

O período histórico do ministério de Jonas é narrado com detalhes em II Reis 14 e 15. Ele viveu durante o reinado de Jeroboão II e, nesses tempos, a Assíria exercia seu poderio no Oriente Médio. Era uma nação cruel e era detestada por suas práticas desumanas.

Jonas era o típico judeu que nunca entenderia como seria possível que Deus viesse a amar os assírios. Ao contrário, ele esperava que o Deus Javé se voltasse contra eles e os destruísse.

A cidade de Nínive era a capital da Assíria, e quando Deus mandou Jonas pregar àquela cidade, ele recusou-se a ir, por causa do ódio que sentia pelos assírios. Jonas é um indivíduo preconceituoso e seu livro mostra a resistência desse profeta ao propósito divino de evangelizar a raça mais cruel do mundo. E o que vamos verificar é que o inexplicável amor de Deus para com Nínive não encontra eco no coração de Jonas.

Foram os preconceitos de Jonas que o levaram a fugir da Missão que Deus lhe havia ordenado. Preconceitos políticos: pois os ninivitas eram velhos inimigos de seu povo. Preconceitos raciais: os ninivitas eram gentios e não pertenciam ao povo escolhido. Preconceitos religiosos: um povo tão perverso, tão mau, tão grosseiro, não podia nem devia ser perdoado.

Quantos hoje não são como Jonas. Quantas vezes os nossos preconceitos nos impedem de sermos úteis a Deus. Quantas vezes os nossos preconceitos sufocam o amor às pessoas; aniquila nossa compaixão; obscurece nossa visão; seca as fontes da nossa espiritualidade e empobrece nossa mensagem.


Nós nos parecemos muito com Jonas. Podemos ver nele nossos preconceitos contra aqueles que não confessam a mesma doutrina, ou que pensam diferente de nós. Jonas é uma figura intrigante. Ele assiste a uma cidade inteira se converter e ao invés de se alegrar, ele se irrita. E mais do que irritado, ficou deprimido a ponto de desejar morrer. Jonas é uma figura desconcertante, mas veremos que muitos de nós agimos exatamente como ele.

CAPÍTULO PRIMEIRO: FUGA INÚTIL

"... veio a palavra do Senhor a Jonas." É assim que tudo começou: um dia estava Jonas em sua casa, lá peno ano 750 AC, quando Deus lhe disse: "Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela ... ". E aqui as coisas começam a se complicar, pois Jonas não tem a mínima vontade de ir àquela cidade.

Por quê? Porque Jonas conhecia muito bem Nínive e a odiava, e também conhecia muito bem a Deus, e sabia que Ele é misericordioso e grande em benignidade (4:2) e com certeza iria dar uma oportunidade a Nínive de se converter. E como nosso profeta não quer a conversão desta cidade, e para evitar que tal acontecesse, "Levantou-se, mas para fugir da presença do Senhor, para Társis." (v. 3).

Se corremos os olhos pelo Mapa Bíblico, vamos observar que Nínive ficava diametralmente oposta a Társis, Nínive está no leste, Társis no oeste. Társis era o lugar mais longínquo de todo o planeta naqueles dias. A viagem para lá durava, pelo menos, um ano.


Lá se vai Jonas para a sua viagem rumo a Társis. Seus planos foram bem arquitetados, no entanto, vai se meter em uma tremenda enrascada. Aquela enrascada em que se envolve todos os desobedientes.


"Mas o Senhor lançou sobre o mar um forte vento, e fez no mar uma grande tempestade" (v.4). Deus, valendo-se da natureza, levanta uma tempestade para corrigir o profeta fujão.

"Então os marinheiros cheios de medo clamavam cada um ao seu deus..." (v.5).


Os marinheiros conhecedores e experimentados no mar, sabem que a situação é perigosa. A sensação de medo os domina. A morte está às portas e por isso eles "clamavam cada um ao seu deus". Estes homens são pagãos e apegados a várias divindades. Contudo, enquanto eles dirigem suas preces aos seus deuses, Jonas dormia profundamente.

Aqui temos uma lição: no processo de fuga de Deus, corremos o risco de nos tornarmos menos cristãos do que os pagãos. Que ironia! O único homem no navio que podia fazer uma oração de verdade ao Deus verdadeiro, não quer orar." Ao mesmo tempo que é triste, é deveras impressionante notar que não poucas as vezes, os incrédulos que não conhecem a Deus, manifestam mais respeito e fé em Deus do que os próprios cristãos.

Nos versos 6 a 10 percebemos que os marinheiros pagãos têm noção da gravidade dos atos de Jonas. "Que fizeste? Pois sabiam os homens que Jonas estava fugindo da presença do Senhor, porque lhe havia declarado". (v.10).
Os marinheiros sabiam que havia algo naquela tempestade, além de um fenômeno natural. Havia algo maior ali e por isso eles resolveram "Lançar sortes, para saberem por causa de que lhes sobreveio aquele mal" (v.7).


A sorte é lançada, "e a sorte caiu sobre Jonas" (v.7). Descobriram que o homem de Deus era a causa da desgraça. A desobediência de Jonas estava atraindo maldição sobre todo o grupo.


Precisamos aprender esta lição: As pessoas que desobedecem a Deus, não criam problemas apenas para si. Infelizmente acabam colocando os outros em suas enrascadas também. Homem de Deus em fuga leva problemas onde quer que vai.
Agora algo precisa ser feito, e daí a pergunta: "Que te faremos, Jonas, para que o mar se acalme? (v.11). E a resposta foi: "Tomai-me e lançai-me ao mar e o mar se aquietará..." (v.12). Assim, Jonas assume o fato de que ele era o causa da tragédia.

Antes de jogar Jonas no mar, os marinheiros pagãos se entregaram novamente à oração. Agora, oram não às divindades pagãs, mas ao Deus de Israel. Enquanto eles oram, os lábios de Jonas ainda permaneciam fechados (v.14).

"E levantam a Jonas, e o lançaram ao mar, e cessou o mar da fúria" (v.15).


Jonas é lançado ao mar, mas Deus não desiste do profeta fujão e ordenou que "um grande peixe engolisse a Jonas" (v.17).

Poucas situações devem ter sido tão angustiosas quanto esta. Jonas está consciente. Sua esperança de continuar vivendo eram mínimas. Que lugar para encerrar a vida, logo na barriga de um peixe, lugar escuro, mal cheiroso e onde provavelmente nunca encontrariam seu corpo. Mas, embora confuso e teimoso, Jonas é um homem que conhece a Deus. E Jonas faz a única coisa que se pode fazer em um momento de angústia. Ele se entregou à oração.


CAPÍTULO SEGUNDO: A ORAÇÃO NO VENTRE DO PEIXE

"Então Jonas no ventre do peixe orou ao seu Deus" (v.1).
É no ventre do grande peixe que Jonas começa a recuperar a saúde espiritual. "Na minha angústia clamei ao Senhor." (v.2).

Jonas começa a entender que a angústia pode ser uma expressão do amor de Deus. A própria tragédia de ter sido "Lançado no coração dos mares" (v.3) e ter sido engolido pelo peixe, não era obra dos marinheiros, mas de Deus. Por trás de tudo aquilo estava a mão divina. "Quando dentro em mim desfalecia a minha alma, eu me lembrei do Senhor ..." (v.7).

Quando estava para morrer, Jonas voltava seus olhos para o Senhor. Que coisa tremenda! A oração ainda é a única e suficiente resposta de que a espiritualidade continua viva. E nesse aspecto nós nos parecemos muito com Jonas. Pois quase sempre deixamos para orar em momentos de extrema dificuldades (Conferir: 1:3, 4,5,10,11,13,14).

A oração de Jonas foi ouvida. Ele podia ser um crente fraco e remitente, mas sua confiança está em Javé e não em ídolos (v.8). É bom saber que Deus nos ouve, apesar de nossas fraquezas.
"Falou, pois, o Senhor ao peixe, e este vomitou Jonas na terra." (v.10).
O capítulo dois termina com mais uma ação soberana de Deus. Ele ordena e o grande peixe, obediente, joga Jonas na praia.

CAPÍTULO TERCEIRO: PREGAÇÃO SEM COMPAIXÃO

"Veio a palavra do Senhor segunda vez a Jonas... " (v.1).
Pela segunda vez, Deus comissionou o profeta à sua missão de pregar aos ninivitas. Uma nova oportunidade é dada a Jonas.

"Dispõe-te e vai à grande cidade de Nínive ..." (v.2) A ordem é a mesma da primeira vez. E nisso aprendemos que Deus não muda sua vontade só pelo fato de não gostarmos dela.

Temos a impressão de que Jonas só pregou aos ninivitas, quando enviado pela segunda vez, porque não teve outra opção. Isso porque o v.3 diz que Nínive levava "três dias para percorrê-la". E no v.4 somos informados que Jonas a percorrer só "caminho de um dia". Isto significa que o nosso profeta não completou a caminhada da cidade, demonstrando assim má vontade em sua proclamação. Tipo coisa: "Já falei o suficiente, chega".

"Ainda quarenta dias e Nínive será subvertida." (v.4).

"Quarenta dias" é uma expressão que nos lembra o dilúvio (Gn 7:17). É uma expressão muitas vezes usada nas Escrituras para falar de juízo divino.

Jonas com seus preconceitos, odiava os ninivitas. Portanto sua mensagem não é para salvar, mas para condenar. Estava obedecendo uma ordem divina, mas sem a mínima paixão. Pregava o juízo mas sem lágrimas nos olhos.

Que mensagem precária a de Jonas: "Ainda quarenta dias e Nínive será subvertida". Não havia unção. Não havia vibração. Não havia o óleo da graça que cura e liberta. Havia apenas o tom de condenação, e era o que ele queria.
Mas algo extraordinário acontece. Mesmo sendo uma pregação sem unção e sem poder, causou um impacto tremendo naquela cidade. E assim, surpreendentemente, Nínive "cidade mui importante para Deus" (v.3) é convertida. Deus é inquestionavelmente soberano. Mesmo que os nossos planos e projetos limitadíssimos falhem, os Dele são infalíveis. O que Deus quer fazer, Ele faz e "ninguém pode lhe deter a mão".


CAPÍTULO QUATRO: AMANDO OS SECUNDÁRIOS DA VIDA

"Com isso desgostou-se Jonas extremamente, e ficou irado" (v.1).

Jonas, ao invés de se alegrar, teve um extremo desgosto, por ver a cidade se converter e saber que a sentença da condenação por ele pronunciada, não seria mais aplicada a Nínive. Sua pregação foi um sucesso, mas ele não queria a graça de Deus para aquele povo. Que mentalidade exclusivista!

Os preconceitos de Jonas estavam tão impregnados em seu coração, que a alegria deu lugar a ira, a ponto de entrar num processo depressivo: "Melhor me é morrer do que viver" (v.3).

Jonas fez uma barraca e ali ficou para "ver o que iria acontecer àquela cidade" (v.5).

Tão duro era o coração de Jonas, que ele ainda esperava que Deus mudasse de pensamento e destruísse Nínive.
Para dar uma lição no profeta, Deus fez nascer uma aboboreira para fazer sombra para ele. E esta planta se torna de um momento para outro o tesouro do coração de Jonas. No dia seguinte, Deus manda um verme para ferir e matar a planta (v.7). E aquela planta que dava conforto a Jonas murchou deixando-o exposto ao sol. O que o deixou irado novamente (v.9).

"Tens compaixão da planta ..." (v.10).

Que insensatez! Jonas amava mais as coisas do que as pessoas. Conseguia chorar e se sensibilizar por causa de uma planta, por outro lado, nutria ódio pelas pessoas.
Jonas é um retrato de muitos hoje em dia. Hoje nossa aboboreira pode ser um carro, a casa, móveis, nosso conforto, etc.

Devemos nos lembrar que se pusermos o coração nas coisas secundárias da vida, não devemos esperar que a nossa alegria seja mais duradoura do que a de Jonas.

"Melhor me é morrer do que viver". Nisso devemos concordar com o profeta. Para quem coloca a vida num nível tão mesquinho, é melhor morrer do que viver.

Jesus disse: "Ajuntai tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não consomem".

Se o nosso coração estiver nas coisas secundárias da vida, as angústias se sucederão uma após outra, pois estes tesouros são falíveis e efêmeros. Ponhamos o nosso coração nas coisas imperecíveis e eternas.

"... Não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive?" (v.11).

Finalmente Jonas aprendeu. Deus tem compaixão de pecadores. Por isso, foi que o comissionou para pregar em Nínive. O recado final é no sentido de que ele volte a amar as pessoas. Não coloque os preconceitos acima da salvação. Volte a amar, mesmo aquelas pessoas estranhas a sua volta.


EM JONAS APRENDEMOS

1 - Deus é soberano e sempre realiza sua vontade
2 - É impossível qualquer tentativa para fugir de Deus
3 - Os preconceitos nos tornam sem amor pelos incrédulos
4 - Quando estamos em desobediência nos tornamos maldição onde quer que vamos
5 - Quando amamos os secundários, nossa vida se torna mesquinha e sem alegria
6 - O caminho da desobediência sempre nos coloca em enrascadas
7 - Quão apaixonadamente Deus ama os pecadores



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O FAVOR IMERECIDO DE DEUS


O FAVOR IMERECIDO DE DEUS

"Se o Senhor se agradar de nós..." Amados, olho para mim mesmo e para a sociedade na qual estou inserido, e nada vejo porque Deus possa me amar, nem a essa sociedade, nem a esse mundo. É um mundo perdido. Cantamos um hineto que destaca o amor de Deus e diz no meio de sua letra, "que levou 
Seu Filho à cruz pra morrer em meu lugar". Foi esse amor que nasceu no Seu coração que fez com que Ele olhasse para nós e Se agradasse de nós. Esse amor tem nome: graça 

Há razões para Ele Se agradar de nós? Não! Nossa conclusão só pode ser, "Não!". Quando refletimos na nossa pequenez, "Não!" Quando refletimos na nossa nulidade, "Não!" Quando refletimos na nossa maldade, nada pode nos levar a pensar que Deus possa ter um intenso amor por nós. Quando refletimos na nossa culpa, também não; quando refletimos na nossa rebelião, também não. E Paulo chega a asseverar que "todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus"      (Rm 3.23). Temos que ter bem na nossa mente o fato de que somos pecadores e nada temos em nós que nos faça merecedores da misericórdia divina.

Quando refletimos na nossa falta, falta de conformidade com a semelhança de Deus, mais ainda, quando refletimos em Sua grandeza e em Sua majestade, nada, absolutamente nada nos leva a imaginar que Deus pudesse um dia olhar com bondade para nós.

Mas a Bíblia diz em Efésios 1. 3 a 6:

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Pois nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele. Em amor nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito da sua vontade, para louvor e glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado"

Em 2 Timóteo 1.8, 9, diz ainda o apóstolo que "o poder de Deus, que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos".

A OBEDIÊNCIA

Outra indicação que temos é a questão da obediência. Primeiramente lemos "Se o Senhor se agradar de nós, então nos fará entrar nessa terra, e no-la dará" (14.8). A obediência: "tão somente não sejais rebeldes contra o Senhor" (v. 9). Por conta disso, o povo de Israel prometeu que ao entrar na Terra da Promissão não se afastaria mais e que não adoraria outros deuses, senão o Senhor.

Um pouco mais: a confiança em Deus é outra razão para que Ele olhe para nós. Vejam bem, o restante do verso 9: "não temais o povo dessa terra, porque como pão os devoraremos".

A imagem é forte: "vamos devorar o povo dessa terra como se fosse pão. A proteção deles se foi, mas o Senhor está conosco, não os temais!" Confiança!!! Porque temer é desconfiar de Deus. Agora de uma coisa podemos ter absoluta certeza porque a Bíblia o atesta do começo ao fim: é que Deus Se agrada de nós. Ele chama os comprados pelo sangue de Cristo de "meu povo", de "geração eleita", de "nação santa", de "sacerdócio real" (cf. 1Pe 9). Viram que epítetos espetaculares são utilizados em relação aos fiéis? A irmã faz parte da geração escolhida de Deus! o irmão é parte deste sacerdócio real!

Que fez Deus por nós, então? Ele nos favoreceu, Ele nos remiu pelo sangue de Jesus Cristo, Ele nos tem sustentado, Ele nos tem dado Seu Espírito, e tem realizado promessas em nossa vida. Que vai acontecer? Diz a parte final de 14.8: "Então nos fará entrar nessa terra, e no-la dará".

O Brasil é uma linda e boa terra para se viver. É o quarto país do mundo em extensão, vindo logo após o Canadá, China e Estados Unidos. É o mais extenso país da América Latina. Sua superfície é de 8.511.965 km². Na época da sua Independência, o país contava com 4.500.000 habitantes. Hoje estamos acima de 170 milhões, num acelerado ritmo de crescimento. No entanto, existe uma série de crescimentos regionais contrastantes, criando diversos Brasis que se tornam desafios para os governos e para os crentes em Jesus Cristo. A TV mostrou as gritantes diferenças regionais: os Brasis do Norte e o Nordeste, e os do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, escancarando o tremendo contraste entre região e região, e entre empregos iguais nessas regiões. Apresentou, até, a questão de salários. Exemplificou com um gerente de uma rede de supermercados em Curitiba, Paraná, e seu colega de São Luís do Maranhão. Enquanto o do Paraná recebia determinado bom salário pelo seu emprego, o nordestino recebia um pouco mais da metade do colega sulista. Essa é a injusta diferença do nosso país.

Temos um Brasil que é moderno, industrializado, o Sudeste, que participa com 2/3 do PIB, e, do outro lado, um Brasil arcaico, agrícola refletindo um forte passado colonial. José Lins do Rego descreve muito bem esse clima de vida rural nordestina numa pintura primitiva e exata desse mundo nos seus livros, Menino de Engenho, Fogo Morto e tantos outros. A população rural do Brasil, portanto, é um desafio para nossa tarefa missionária.

A população indígena vem baixando incrivelmente devido a uma série de fatores. São os conflitos com chamados "civilizados". São as epidemias de gripe, de sarampo, de coqueluche. O indígena, portanto, é um desafio para nossa tarefa missionária.

Temos os imigrantes de procedências variadas: alemães, italianos, russos, poloneses, sírio-libaneses, japoneses, portugueses, letos, espanhóis, coreanos, húngaros, e segue uma enorme lista. O imigrante é um desafio para nossa tarefa evangelizadora.

A população deste grande país é na sua maioria romanista, mas o número de adeptos do candomblé é imenso. Os sem-religião sem em grande número, e tornam-se todos um desafio dos mais sérios para nossa tarefa, o que vale dizer, um desafio para nosso testemunho.

Por esse motivo, a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo é chamada a irradiar a verdade e para fazê-lo em todos os lugares, em todos os tempos, em todas as circunstâncias. Somos convocados a apontar à nossa geração o caminho verdadeiro e vivo especialmente agora, quando a doutrina de Jesus Cristo tem sido torcida, rejeitada e violentada! Somos convocados a levar avante o glorioso cometimento que nos foi dado e que se chama ministério da reconciliação: dizer aos homens que Deus perdoa e que todos são chamados a viver debaixo do governo divino.

Esse é o nosso trabalho, a nossa missão. Só quando os crentes em Jesus Cristo se tornarem missionários em suas vocações, na administração pública, na indústria, na caserna, no comércio, no lar, na escola, no sítio, na loja, na clínica, em todos os lugares, os homens perceberão Jesus como o Único Caminho, a Verdade Absoluta e a Vida Eterna.

Essa terra brasileira é um dom de Deus. Temos dificuldades, temos inimigos, perigos, no entanto, com Deus somos a maioria, pois, como diz o texto, "Não temais o povo desta terra... A proteção deles se foi, mas o Senhor está conosco. Não temais”.


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A HISTORIOLOGIA DA PÁSCOA


A PÁSCOA NO CALENDÁRIO

Parte I
 Por que o natal é comemorado sempre no dia 25 de dezembro e a páscoa é celebrada em dia e até mês diferente da páscoa anterior? Sabemos que a páscoa judaica e a páscoa cristã são distintas em sua essência, embora ambas abordem o mesmo tema da libertação. A primeira comemora a libertação do cativeiro egípcio sob a liderança de Moisés, enquanto que a segunda, a páscoa cristã, enfoca a libertação do pecado em Cristo Jesus, mediante sua morte e ressurreição.

MISSÃO SE FAZ COM ORAÇÃO (E JEJUM TAMBÉM!)


MISSÃO SE FAZ COM ORAÇÃO (E JEJUM TAMBÉM!)

 "E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram" (At 13.2,3). José Martins disse corretamente: 

"A oração é a essência da obra missionária. Não é só uma atividade necessária ao sucesso da obra - é a obra em si. É a prática mais missionária possível, quando vivida de maneira bíblica". É evidente que Martins não quer dizer que oração e missões são a mesma coisa, e sim, que essas duas atividades devem vir interligadas uma na outra. Nunca é demais enfatizar a importância da prática da oração na obra missionária.

Quando o Espírito Santo ordenou que a igreja de Antioquia separasse Paulo e Barnabé para a obra que os tinha chamado, a igreja estava em oração. Esta verdade está implícita e explícita em Atos 13.2 e 3, respectivamente.

Implicitamente porque o versículo dois diz o seguinte: "E, servindo eles ao Senhor, e jejuando...". O fato da igreja estar jejuando subentende-se que ela estava também orando. Seria incoerente pensar que uma igreja que estava adorando a Deus e jejuando não estivesse em oração. Nem toda oração é feita em jejum, mas todo jejum bíblico é feito com oração. Além disso, temos uma evidência explícita de que a igreja de Antioquia realmente orava naquela ocasião: "Então, jejuando e orando..." (v3). Não sabemos ao certo se o jejum do verso 3 é o mesmo do verso 2. Pela urgência do chamado do Espírito, tudo indica que sim. Mas se é o mesmo ou deixa de ser, não é tão importante sabermos. Basta saber que a igreja de Antioquia era uma igreja de oração e que fazia da oração a base de sua missão.

É provável que o exemplo da igreja de Antioquia tenha marcado positivamente o ministério de Paulo. Paulo foi um homem de oração e recomendava às igrejas que orassem por ele e pela expansão do evangelho de Jesus Cristo.

Agora, mais do que simplesmente orar, a igreja de Antioquia era uma igreja que exercia a prática do jejum. É impressionante a ênfase que Lucas dá ao jejum na igreja de Antioquia. Em Atos 13.2 ele diz que a igreja jejuava, e não menciona a oração, embora sabemos que ela também orava, conforme dissemos acima. No verso 3, do mesmo capítulo 13, Lucas coloca a palavra "jejuando" na frente de "orando". No texto grego é a mesma coisa: nestéusantes kai proseuxamenoi. A ordem das palavras é significativa e não pode ser menosprezada, como parece fazer a maioria dos autores que consultamos.

A ênfase de Lucas é importante por duas razões pelo menos: 1) Não devemos pensar que a igreja de Antioquia jejuava porque trazia resquícios do judaísmo. Esta não seria uma forma interessante de se pensar, primeiro porque Lucas era gentio (provavelmente da cidade de Antioquia da Síria) e, por isso mesmo, qual o interesse dele em dar tanta ênfase a uma prática estritamente judaica? Segundo, a igreja de Antioquia foi uma das igrejas mais anti-judaicas do passado, naquilo que se refere às práticas religiosas do judaísmo. Direta ou indiretamente o Concílio de Jerusalém de Atos 15 aconteceu em razão desse anti-judaísmo-cerimonialista. 2) Acreditamos que Lucas fez questão em enfatizar a prática do jejum pela igreja de Antioquia, primeiramente para mostrar que jejum e oração não são incompatíveis na vida de uma igreja e, em segundo lugar, mostrar como esta prática era (e deve ser) valorizada no meio de uma igreja verdadeiramente missionária. Se muitas de nossas igrejas têm falhado na prática da oração, e falhado mais ainda em rogar ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara, em interceder pelos missionários e orar pela obra missionária de um modo geral, o que dizer então da prática do jejum em nossas igrejas? Acredito que as igrejas históricas têm falhado até agora em subestimar a importância do jejum na vida do povo de Deus. Quantos são os membros destas igrejas que jejuam? Quantos de seus pastores jejuam? Muitos de nós mal oramos, diga-se de passagem. Na minha própria denominação, Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), aprendi: "Sem o propósito de santificar de maneira particular qualquer outro dia que não seja o dia do Senhor, em casos muito excepcionais de calamidades públicas, como guerras, epidemias, terremotos, etc., é recomendável a observância de dia de jejum ou, cessadas tais calamidades, de ações de graças" (Princípios de Liturgia, XI). Se o povo de Deus tiver que jejuar "em casos muito excepcionais de calamidades públicas, como guerras, epidemias, terremotos, etc.", conforme prescrevem os princípios de liturgia da IPB, dificilmente existirá um dia de jejum neste país! Que o jejum deve ser praticado em dias de calamidades públicas não questionamos, pois a Bíblia nos dá vários exemplos disso. Mas será que devemos jejuar somente em casos muito excepcionais de calamidades públicas? Da forma como foi redigido o princípio para a prática de jejum na IPB, ao invés de estimular o crente a praticá-lo, ele faz exatamente o contrário. Não que o princípio fora escrito com o objetivo de desestimular quem quer que seja, porém, na prática é o que tem acontecido. Creio que o capítulo sobre jejum deveria ser revisto pela IPB, primeiro porque ele não expressa corretamente a realidade brasileira e também por não apresentar uma definição mais completa do verdadeiro conceito bíblico de jejum. Apesar da Igreja Primitiva ter vivido momentos de muitas provações, nada indica que naquela ocasião especial de Atos 13 a igreja de Antioquia estivesse jejuando e orando porque passava por momentos difíceis. Pelo contrário, o contexto próximo (cap. 12) indica que a Igreja Primitiva, de modo geral, estava vivendo um dos seus melhores dias. Pedro havia sido libertado milagrosamente da prisão e um dos maiores inimigos da igreja, o rei Herodes Agripa I, foi morto mediante a intervenção de um anjo do Senhor. Enquanto isso, "a palavra do Senhor crescia e se multiplicava" (At 12.24). A igreja de Antioquia buscava a presença de Deus pelo simples prazer de estar servindo a Deus. E continuou assim quando enviou seus missionários e os sustentou com fervorosas orações. Que Deus conceda à igreja brasileira a graça de ser uma igreja que se alegre em estar em Sua presença, intercedendo dia após dia pela obra missionária do Brasil e do mundo.



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A BÍBLIA E A DISCIPLINA DOS FILHOS



A BÍBLIA E A DISCIPLINA DOS FILHOS

 "A vara e a repreensão dão sabedoria; mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe. Corrige a teu filho, e ele te dará descanso; sim, deleitará o teu coração. O homem iracundo levanta contendas, e o furioso multiplica as transgressões. Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele”.(Pv 29.15, 17; 22.6).

"Nada mais fácil que ter um filho. Nada mais imperativo que fazer dele um homem. Nada mais difícil que fazer dele um homem realizado em todos os planos". São palavras de Maria Junqueira Schmidt. Na Bíblia, o versículo chave com relação à atitude dos pais para com os filhos é, sem dúvida,

Por que eu - Nasci?


Por que eu - Nasci? 

Um comentário Antropológico

APONTAMENTOS SOBRE O LÓCUO 6 DO LIVRO “DOGMÁTICA CRISTÔ DE CARL E. BRAATEN E ROBERT W. JENSON, SÃO PAULO: SINODAL, 1990 – PP. 324-341

O SER HUMANO

Começaremos este estudo, justificando que foi escolhido o termo “co-criador criado” para articular o que significa a humanidade sob a vontade de Deus. Este termo, segundo o livro aqui comentado, fala de dependência, de poder e autoridade dados por Deus e de liberdade dentro da finitude.

A questão do destino humano aparece-nos como uma compreensão primordial para este estado humano de “co-criador criado”. Comenta-se que Nathan Scott aponta corretamente para a intenção da estória cristã da humanidade: contar-nos quem o ser humano realmente é e lembrarmos que toda a criação e Deus o Criador apóiam os seres humanos em seus esforços para tornar-se mais plenamente o que são criados para ser. A antropologia cristã expõe uma compreensão distinta de quem e do que o ser humano é.

O ser humano é criado com um destino. Assim, o autor do livro, explica que foi utilizado este termo “destino” para incluir as conotações de “vocação” ou “chamamento”, bem como para apontar para um caráter intrínseco que constitui uma dimensão da “natureza” criada do ser humano. Consequentemente, explica-nos o autor, “destino” tem as nuanças de dom, determinismo, propósito e alvo. A primeira tarefa da concepção distintamente cristã do ser humano é tornar claro que o homo sapiens tem um destino, e que se trata de um destino elevado. A Antropologia cristã não se isola de qualquer outra fonte de conhecimento sobre o ser humano – das ciências, da experiência de todas as espécies, literatura ou arte. O que a concepção cristã tem a dizer sobre o ser humano está no contexto do conhecimento recolhido destas outras fontes.

Não obstante, não se pode permitir que conhecimento algum de outras fontes oculte ou enfraqueça a seguinte asserção fundamental da fé cristã: como pessoas criadas por Deus, somos seres cuja origem e destino estão vinculados com este Deus. Tudo que é dito sobre as implicações da doutrina da criação ex nihilo certamente aplica-se aqui: que o ser humano é causado, e não gera a si mesmo, e que é criatura, não criador. E esta verdade comentada no livro Dogmática Cristã, desemboca no fato de que, a menos que percebamos o destino divinamente ordenado do ser humano, deixamos, desde o princípio, de compreender quem e o que o homo sapiens é. Somente o pressuposto do destino elevado confere sentido ao discernimento do pecado e do mal nos seres humanos.

Desta forma, sem o real conhecimento, ou talvez seja melhor colocar, o real reconhecimento de seu estado real, o homem ou a mulher da atualidade está como alguém que é condenado à morte em um julgamento que não compreende porque cometeu um crime absurdo que não reconhece.

O tema através do qual reunimos as várias afirmações da tradição cristã sobre a criatura humana e que expressa o sentido delas é o do co-criador criado. Este tema, como o próprio autor de Dogmática Cristã o descreve, é novo em sua formulação. Formalmente, o destino humano é levar à consumação a posição dada ao ser humano na criação – colocado por Deus o Criador na posição preeminente do ecossistema.

A espécie humana é claramente distinta de todas as outras espécies, mas também está intimamente relacionada ao resto da criação. Esta relação é em parte externa; o homo sapiens depende de todos os outros elementos do ecossistema, assim com a espécie contribui reciprocamente para o mesmo ecossistema. Mas ela é também interna. Os elementos do mundo, convergindo naquela “sopa primordial” da qual surgiram todas as criaturas vivas, são os elementos do ser humano; cada átomo do corpo humano esteve em outro lugar no universo antes que veio a repousar no homo sapiens. Percebe-se com isto, a afirmação de que o homem faz parte do todo do universo, das coisas criadas.

Mas, como exposto na obra aqui apreciada, o homo sapiens é distintivo no tocante a seis características importantes: consciência, autoconsciência, a capacidade de fazer avaliações, a capacidade de tomar decisões com base nestas avaliações, a capacidade de agir livremente de acordo com estas decisões e a capacidade de assumir responsabilidade por tal ação. Tal ação autoconsciente e livre torna-se uma espécie de atividade criadora, um co-criador com Deus. Porém, lembrando-nos dos nossos limites, diz-nos o texto o seguinte: os seres humanos não podem atribuir-se arrogantemente o mérito de serem co-criadores; foram criados co-criadores.

Ser co-criador significa que o homo sapiens toma parte consciente e responsavelmente na formação do mundo e seu desdobramento em direção a sua consumação final sob Deus. O criar de Deus é a norma para o co-criar humano – não no sentido de que o homo sapiens deva igualar sua atividade à de Deus, mas, antes, no sentido de que a atividade humana é perversa se não se qualifica afinal como participação na extensão da vontade primordial de criação de Deus. Expresso desta maneira, o status criado do ser humano é completamente escatológico; isto é, é um desencadeamento, não um dado plenamente desenvolvido que simplesmente tem de ser reiterado e copiado ao longo do tempo. O homem não é um ser já completo em perfeição criativa e criadora, ele estava em fase de desenvolvimento pessoal em Adão, que perdeu o rumo da desenvoltura humana através do pecado, e que em Cristo, o modelo real e já perfeito, encontramos o rumo para o pleno desenvolvimento, porém, com uma melhor visão, pois o nosso modelo, Cristo, é o Homem com perfeição criativa e criadora.

Nos é sugerido, desta maneira, que este caráter de co-criador é o que significa ser “à imagem de Deus”. Ser apto a tomar decisões autoconscientes e autocríticas, agir com base nestas decisões e assumir responsabilidades por elas – estas são as características das quais é composta a imagem de Deus em nós.

Quando os seres humanos ponderam seu status de co-criadores, reconhecem que ele inclui a liberdade de conceber ações e executá-las. Tornando assim, ao meu ver, o ser humano mais responsável, aliás, Deus é Deus responsável por Seus próprios atos, assim, como imitadores de Deus, devemos nos responsabilizar por nossos próprios atos também! Há então a responsabilidade por viver com as consequências da ação, ainda que comprovem ser indesejáveis.

Ser co-criador significa que precisamos continuar a viver com a decisão e exercer nosso caráter de co-criadores responsáveis, que a decisão comprove ser desejável ou indesejável.

Agora, provém disto uma questão também fundamental, como descrito na obra aqui comentada, que é o fato de que tal decisão livre e responsável é limitada. Ao exercer a imago Dei, ao por em prática nosso caráter de co-criadores, esbarramos no fato de nosso ser-criado. Daqui vem a consciência de que, apesar de sermos livres no ato co-criador, temos os limites impostos por sermos criaturas!

Quando ponderamos tais considerações, vimos a saber que nosso pecado é tanto nossa compreensível relutância em aceitar nosso status de co-criadores quanto nossa execução falha de nosso caráter de co-criadores. Este pecado é tanto original quanto atual.

Surge, desta discussão, uma outra problemática, que é a da condição primordial do ser. Na atualidade é quase universalmente sustentado entre os teólogos que as narrativas e conceitos que temos a respeito de Adão e Eva no paraíso são lendas e mitos. A idéia de seres humanos vivendo em um abençoado estágio primordial antes da queda é encarada como especulação poética, não como história. Porém, poesia ou não, estes mitos nos contam muita coisa essencial à antropologia cristã. Só uma criatura de estatura muito grande seria descrita como “caída”. Como diz Tillich: “Simbolicamente falando, é a imagem de Deus no homem que oferece a possibilidade da queda.


Somente aquele que é imagem de Deus tem o poder de separar-se de Deus.”

Toda a riqueza da criação, na terra e no mar, estava pronta, e ninguém estava lá para compartilhar dela. Quando toda esta beleza natural estava formada, então, e só então, era apropriado que o ser 
humano entrasse em cena. Falando sobre isto, Gregório de Nissa (século IV) diz: “...não era de se esperar que o governante aparecesse diante dos súditos de seu governo; no entanto, quando seu domínio estava preparado, o próximo passo era que o rei se manifestasse. (...) Por esta razão o homem foi trazido ao mundo por último, depois da criação...”

Não é popular, hoje em dia, falar do ser humano como “coroa da criação”. Mas, partindo dos princípios expostos no capítulo aqui mencionado do livro Dogmática Cristã, a conclusão a ser tirada é de que os seres humanos são dotados de um nobre destino, mas também são investidos de grande responsabilidade, e desta forma, creio poder referir-me ao homem como “coroa da criação”!

A imagem de Deus (imago dei) apresenta uma imagem fundamental do ser humano como ser-com-um-destino. Alguns teólogos até sugeriram que o termo fosse extirpado do vocabulário teológico, tão frustrante é sua interpretação. A exegese de Gênesis é ela mesma o campo de batalha de variadas interpretações da imago dei. Clauss Westermann arrola os seguintes grupos de opiniões existentes na história da interpretação (porém, apoiando a quinta opção):

1) Aqueles que distinguem entre semelhança natural e sobrenatural com Deus;
2) Aqueles que definem a semelhança em capacidades ou aptidões espirituais;
3) Aqueles que interpretam-na como forma externa;
4) Aqueles que discordam incisivamente de 3;
5) Aqueles que interpretam o termo como denotativo de que o ser humano é o correlativo de Deus, alguém que corresponde a Deus;
6) Aqueles que interpretam a imago como o status do ser humano como representante de Deus na terra.

Os exegetas do N.T. muito pouco fizeram a respeito do termo, mas a principal conclusão é de que Cristo é a imagem de Deus (eikon tou theou) e, portanto, a imagem para dentro da qual são formados os seres humanos.
Podemos inferir na história do conceito, como nos é apresentado em Dogmática Cristã, duas categorias, ou dois grupos de interpretações. No primeiro grupo, podemos colocar os apologetas do século II, que identificavam a imago com a liberdade da vontade, a capacidade para a bondade, a responsabilidade moral e a razão, e também, o domínio humano sobre a terra.

O segundo grupo de intérpretes considera que a imagem de Deus se refere ao fato da relação com Deus, de co-responder a Deus, de ser o correlativo de Deus, como diz Westermann. Agostinho é o representante monumental desta posição, pois ele aponta para o caráter trinitário da vida psíquica humana como uma grande analogia (analogia entis) da via triúna de Deus. O ser humano não foi, como os outros animais, “criado segundo a sua espécie”, mas, antes, criado à imagem e semelhança de Deus. Por isso, Deus não disse: “Seja feito o homem”, mas antes: “Façamos o homem”. Também não disse: Segundo sua espécie”, mas segundo “nossa imagem” e “semelhança”.

Lutero, mencionando sobre este assunto, disse que Adão tinha a imagem de Deus em seu ser e que não somente conhecia a Deus e cria que ele era bom, mas que também vivia uma vida que era totalmente piedosa; isto é, não tinha medo da morte ou de qualquer outro perigo e estava contente com o favor de Deus. Nesta forma ela se revela no exemplo de Eva, que fala com a serpente sem medo algum. A serpente é símbolo da morte, e antes do pecado, o ser não teme a morte, mas teme a Deus, porém, depois da queda de Adão todos os homens propagados segundo a natureza nascem com pecado, isto é, sem temor de Deus, sem confiança em Deus e com concupiscência. Temor e confiança em Deus são os critérios da imago dei por sua presença e do pecado por sua ausência. Desta forma, o homem sem a imagem de Deus, caracteriza-se pelo pecado, e o homem que tem, por Cristo, a imagem de Deus, é caracterizado pelo temor e pela confiança em Deus.

Lutero critica Agostinho e outros teólogos antigos porque suas descrições da imagem de Deus fomentam “obras”. Westermann critica boa parte da tradição porque ela fala de atributos ou qualidades da natureza humana como a imago em vez da relação com Deus. E é assim que o dilema sobre a imago dei seguiu-se história afora.


No desenvolvimento destas discussões sobre o homem, surge também uma questão de importância fundamental à antropologia, que é a relação entre espírito e matéria na criatura humana. A constituição do ser humano foi objeto de grande preocupação para a tradição cristã. Gregório de Nissa expressa o pensamento de muitos teólogos antigos ao falar do ser humano como fator intermediário entre o âmbito terreno, animal, e o âmbito espiritual de Deus. Ao que parece, passa-se a ver o homem como um intermediário, dentre a criação, entre Deus e as demais coisas criadas.

Podemos resumir um volumoso corpo de material histórico dizendo que “espírito” (pneuma, ruah) se refere em geral à própria vida, à distinção de “corpo”, enquanto que “alma” (psyche, nefes) se refere a vida assim como ela ocorre em um organismo particular, concreto, sendo este organismo o meio da ação da alma. Todos os corpos humanos possuem espírito, e o espírito manifesta-se dentro da alma do indivíduo.
Falamos de uma visão “tricotômica” ao falarmos de corpo, alma e espírito, enquanto que uma visão “dicotômica” somente conhece corpo e alma. A concepção dicotômica, segundo o livro comentado neste trabalho, tem prevalecido na teologia cristã.


A “preexistência” sustenta que as almas vêm a este mundo a partir de algum material de alma preexistente. E, penso eu, que este é até um dos motivos que me levam a crer mais na “tricotomia” do que na “dicotomia”. Mas, Lutero, por exemplo, já as contestou porque acreditava que a criatura humana é um ser unitário perante Deus.

Em acréscimo a esta consideração teológica, a compreensão contemporânea do ser humano e da estrutura da personalidade humana não permite uma perspectiva dicotômica ou tricotômica, exceto metaforicamente. Requer-se uma perspectiva evolutiva moderna. Espírito ou mente e corpo ou matéria são vistos como parte do mesmo processo, e não como entidades separadas para a modernidade. Em termos fisiológicos, o espírito é uma função do cérebro que não é nem imaterial nem não-material, mas que é matéria na forma que pode tornar-se espírito. Robert Francoeur descreve isto como uma espécie de “monismo evolutivo”.

Para os teólogos na tradição da Reforma, o ser humano é uma criatura una, uma criatura da natureza, criada com uma relação especial com Deus o Criador e com a capacidade de perceber esta relação e de viver uma vida de resposta a Deus.
Mas, desencadeou-se, daqui, um outro fator conflitante, mencionado neste livro Dogmática Cristã, que é a complexidade do homem com a queda e o pecado original (“status corruptionis” – estado de corrupção).

Conforme o mito da queda, a imago dei está parcialmente intacta mas gravemente danificada, de forma que uma restauração se faz necessária. Algumas importantes tradições orientais, tais como as da Igreja siríaca, consideravam o pecado uma causa da queda, não sua consequência. Seguindo por este ensinamento, chegamos a uma resposta impressionante, talvez mais do que impressionante, exótica, que é a conclusão, então, que primeiramente Adão perdeu a imagem de Deus, daí sim, pecou. Tais concepções são estranhas à tradição ocidental e à teologia da Reforma em particular.

O pecado e o mal não devem ser identificados com a humanidade, mesmo após a queda. Para os luteranos, isto é afirmado no primeiro artigo da Fórmula de Concórdia. Para Johann Gerhard, é quando a imago se refere à justiça e santidade que a imagem de Deus é perdida na queda.

Surge, daqui, a necessidade de restauração. Deus, em Jesus Cristo, restaurou a humanidade à reconciliação com seu Criador. A recuperação da dimensão da escatologia na fé cristã, que teve lugar desde 1900, nos lembrou que a restauração da humanidade não é um retorno ao Éden. Pois ao que percebe-se, o qual já foi comentado acima, Adão não era perfeito, estava se desenvolvendo quando foi barrado pelo pecado, enquanto Cristo venceu o pecado e a morte, tornando-se em tudo o modelo perfeito e completo à nossa restauração final.


As contestações à antropologia cristã, comentadas na obra aqui apreciada, são de grande valia para o desenvolvimento deste assunto. A concepção cristã do ser humano é atacada de todos os lados. E, vejo que quando somos atacados, pensamos em nos defender, e assim, surgem as certezas diante das dúvidas.

Uma das contestações mais perversas e potencialmente devastadoras, vem da incapacidade amplamente difundida de aceitar a elevada concepção do destino humano como o expõe a teologia cristã. Dogmática Cristã menciona aqui duas fontes desta contestação: o conhecimento científico emergente e a concepção de que o mal é intrínseco à natureza humana.

Nosso conhecimento emergente de nós próprios desafia nossa capacidade de aceitar-nos como criaturas à imago dei. Pensamos nas descrições de Gregório de Nissa: pureza, liberdade, da paixão, amor, intelecto. Podem os seres humanos olhar hoje para si mesmos e ler a imagem de Deus a partir da lista destes atributos?


Assim, o autor do livro aqui comentado assevera que, dizer, com os luteranos e com Westermann, que uma olhadela introspectiva em nós mesmos nunca revelará atributos da imago, que precisamos, em vez disso olhar para a nossa relação total com Deus enquanto criaturas correspondentes, que dependem de Deus e ainda assim se rebelam contra a dependência – também isto não é de muito auxílio em nosso dilema. Enquanto nos virmos em toda a nossa complexidade servindo a mecanismos imediatos de sobrevivência, em níveis diversos, não será possível ver-nos como criados à imago dei.

Muitos críticos acusaram o cristianismo de uma irresponsabilidade ecológica essencial, quer com respeito ao ecossistema natural e físico, quer com respeito à rede intrapessoal de relações. A antropologia cristã foi acusada de antropocentrismo, de uma preocupação por dominar (às vezes em atitudes destrutivas, irresponsáveis) e de uma compreensão de que nada tem valor além do ser humano.

Porém, como nos é assegurado no livro que cá comentamos, estão em andamento esforços para remodelar certos aspectos da concepção cristã na direção da responsabilidade ecológica em relação ao mundo físico e ao mundo dos seres humanos à nossa volta. De forma alguma devemos separar-nos dos ecossistemas em que vivemos, nos movemos e temos nosso ser. Para muitos cristãos, não é coisa fácil manter a glória de Deus como Criador e, ao mesmo tempo, reconhecer o mérito dos processos imediatos da criação.

Um dos problemas mais lamentáveis na tradição cristã de pensamento é o da sexualidade e das relações entre sexos. Há pouca dúvida de que com demasiada frequência a sexualidade e a relação homem/mulher são descritas de formas que rebaixam o corpo, o elemento físico da vida humana, e a mulher. Gregório de Nissa escreveu que, já que Paulo nos escreveu que em Cristo não há homem nem mulher, a criação original não deve ter incluído diferenciação sexual. Já que o protótipo do ser humano, Cristo, não permitiu a sexualidade, a diferenciação sexual deve ser subsequente à queda, juntamente com a multiplicação sexual. Gregório ainda diz que a sexualidade existia no Éden, mas era governada pela vontade, não pelo desejo ou pela paixão. O desejo sexual no casamento não era pecado, mas era o transmissor do pecado. Martin Chemnitz parafraseia Agostinho na seguinte passagem e aceita as idéias de Agostinho como normativas: “No matrimônio há duas coisas que são boas e de ordenação e de instituição divinas, mas há também um desejo no casamento sem o qual não há multiplicação, e por causa deste desejo as crianças nascem em pecado.” A partir desta idéia, o pecado original parece ser passado de pessoa a pessoa no ato de desejo sexual. Aqui eu gostaria de fazer uma pergunta aos “sacerdotes” romanos:


“se, apesar de conseguir-se viver no celibato, não se consegue extinguir o desejo, como dizer que um padre, ou até mesmo o papa é melhor do que outro homem qualquer?” desta maneira, os problemas que teve nossa tradição ao interpretar as relações homens/mulheres são bem conhecidos.

Enfim, este capítulo do livro Dogmática Cristã termina, dizendo seu autor que, como sugeriu o exame em seu livro, o ser humano foi criado material e este material desenvolveu o espírito. Denegrir o terreno é enfraquecer os fundamentos materiais do espírito. E ele ainda reconhece que esta percepção ainda precisa ser incorporada de uma forma lúcida, que possa capacitar a doutrina cristã a conceber a unidade espírito-matéria da criação.

“Se o homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável” (Sêneca, filósofo latino, 4 a.C. – 65 d.C.)





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