2020 ~ MISSÕES CRISTÃO

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1. Deus Ama Você !

A BÍBLIA diz, "Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não vá para o inferno, mas tenha a vida eterna".




QUEM JESUS FOI REALMENTE?



QUEM JESUS FOI REALMENTE?


O Jesus liberal

Com a queda do racionalismo e o surgimento do existencialismo, alguns estudiosos procuraram entender Jesus à luz da experiência religiosa. Jesus passou a ser visto como um homem cujo sentido de dependência de Deus havia alcançado a plenitude. Esse conceito serviu de base para o desenvolvimento do seu retrato pintado pelos liberais, em que Ele era simplesmente um homem divinamente inspirado.

No século passado, os estudiosos, em busca do Jesus histórico, começaram a aceitar a ideia do "mito", ou seja, a ideia de que os Evangelhos são relatos mitológicos sobre Cristo, lendas piedosas criadas cm torno da figura histórica de Jesus pelos seus discípulos. Assim, firmou-se a ideia de que Jesus não ressuscitou fisicamente. A ressurreição, na verdade, era a crença dos discípulos na presença espiritual de Jesus.

A essa altura, os próprios estudiosos perceberam que a "busca" não os estava levando a lugar algum. Era fácil destruir o Cristo dos Evangelhos, mas eles não conseguiam reconstruir um Jesus histórico que os satisfizesse. As vidas de Jesus reconstruídas pelos pesquisadores diziam mais acerca dos autores do que da pessoa que eles tentavam descrever. Os autores olharam no poço profundo da história em busca de Jesus, e o que viram foi seu próprio reflexo no fundo do poço. Também perceberam que haviam esquecido ou minimizado um importante aspecto da vida e do ensino de Jesus, que foi o escatológico-apocalíptico, proclamando o aspecto ainda futuro do reino de Deus. Essa conscientização desfechou um golpe fatal na concepção liberal de um reino de Deus que se confundia com uma sociedade ética no mundo presente, ou numa experiência espiritual interior, que dominava na época.

Além disso, o estudo crítico dos Evangelhos começou a afirmar que eles (os Evangelhos) não eram biografias no sentido moderno, mas apresentações de Jesus altamente elaboradas e adaptadas por diferentes alas da comunidade cristã nascente. Portanto, era impossível, achar o verdadeiro Jesus, pois ficara soterrado debaixo da maquiagem imposta pela Igreja primitiva. Como conseqüência, alguns começaram a insistir que o centro da fé para a Igreja não era o Jesus da história, mas o Cristo da fé, criado pela igreja nascente. Portanto, a busca estava baseada num erro (que o Jesus histórico era importante) e era teologicamente sem valor. O único Jesus em que os estudiosos deveriam se interessar era o Cristo da fé da igreja, pois foi o único que influenciou a história. Alguns, assim, se tornaram absolutamente cépticos quanto à possibilidade de se recuperar o Jesus histórico.

Tentando "salvar" a busca, esses estudiosos acabaram por piorar a situação. Quando separamos a fé dos fatos históricos, o Cristianismo, despido do seu caráter histórico, e dos fatos que lhe servem de fundamento, torna-se uma filosofia de vida. Uma fé que se apoia num Cristo que não tem nenhum ancoramento histórico toma-se gnosticismo ou docetismo.

Assim, os Evangelhos e o retrato de Jesus que eles nos trazem, passaram a ser vistos como uma elaboração mitológica produzida pela fé da Igreja. Segundo seus defensores, foi a imaginação da comunidade que criou as histórias dos milagres e muitos dos ditos de Jesus.

Apesar das diversas tentativas de reconstrução, ao fim chegava-se a um Jesus cuja existência era não apenas implausível, como impossível de ser provada. O Jesus liberal, desprovido do sobrenatural e da divindade, foi uma criação da obstinação liberal, que se recusava a receber como autêntico o relato dos Evangelhos sobre Jesus. A falta de comprovação histórica e documentária quanto ao Jesus liberal acabou por dar fim à "busca". O Jesus do liberalismo pouco se parecia com o Jesus da concepção histórica da Igreja de Jesus Cristo, como sendo tanto humano quanto divino, as duas naturezas unidas organicamente numa mesma pessoa. O racionalismo eliminou a natureza divina de Cristo e a considerou como produto da Igreja, dissociada do Jesus da história. Jesus era apenas o grande exemplo, e a religião que Ele ensinou era simplesmente um moralismo ético e social.

O Jesus liberal fracassou cm todos os sentidos! Ele acabou fundando uma nova religião, mesmo sem querer. Acabou sendo "endeusado" pelos seus discípulos, contra a sua vontade. O seu ensino social e ético de um reino de Deus meramente humano acabou sendo sobrepujado pelo ensino de um reino de Deus sobrenatural, presente e ainda por vir. E sua verdadeira identidade se perdeu logo nos primeiros séculos, para ser "redescoberta" apenas depois de 2.000 anos de ilusões. Que ironia!

O Jesus libertador

Mas a tentativa dos estudiosos que não criam nos relatos miraculosos dos Evangelhos não parou com o fracasso. Em meados da década de 50, outros estudiosos, igualmente céticos, acharam que poderiam acertar onde os antigos liberais falharam, desde que não fossem tão radicais em seu ceticismo quanto aos relatos dos Evangelhos. Alguns discípulos dos teólogos liberais afirmaram que, apesar dos muitos erros nos Evangelhos, havia neles elementos históricos suficientes para se tentar chegar ao Jesus que realmente existiu. Um deles chegou mesmo a questionar: "se a Igreja primitiva era tão desinteressada na história de Jesus, por que os quatro Evangelhos foram escritos?" Os que escreveram os Evangelhos acreditavam seguramente que o Cristo que eles pregavam não era diferente do Jesus terreno, histórico.

Mas, ao fim, esses pesquisadores da "nova busca" pensavam de forma muito semelhante à dos seus antecessores: o Jesus que temos nos Evangelhos não corresponde ao Jesus que viveu em Nazaré há 2.000 anos, o qual pode ser recuperado pelo uso da crítica histórica. Uma coisa todos estes pesquisadores, antigos e novos, tinham cm comum: não criam na divindade plena de Jesus, na sua ressurreição nem nos milagres narrados nos Evangelhos. Para eles, tudo isso havia sido criado pela Igreja. Além disso, eram todos comprometidos com a filosofia existencialista em sua interpretação dos Evangelhos. Os resultados da pesquisa feita individualmente por eles, porém, eram tão divergentes, que a "nova busca" acabou desacreditada em meados da década de 70.

Mas o ceticismo destes estudiosos não deixou a coisa parar por aí. Faz poucos anos, um grupo de 75 estudiosos de diversas orientações religiosas reuniu-se nos Estados Unidos para fundar o "Simpósio de Jesus" (The Jesus Seminar), que os reúne regularmente duas vezes ao ano para levar adiante a "busca pelo verdadeiro Jesus". Suas idéias básicas são fundamentalmente as mesmas dos que empreenderam a "busca" antes deles, ou seja, que o retrato de Jesus que temos nos Evangelhos é uma caricatura altamente produzida, resultado da imaginação criativa da Igreja primitiva. A novidade é que agora incluíram material extrabíblico em suas pesquisas, como o evangelho apócrifo de Tomé, o suposto documento "Q" contendo ditos antigos de Jesus e os Manuscritos do Mar Morto.

A conclusão do simpósio é que somente 18% dos ditos dos Evangelhos atribuídos a Jesus foram realmente pronunciados por Ele. O simpósio, trouxe a público esse resultado de suas pesquisas bastante cépticas quanto á confiabilidade dos Evangelhos, causando grande sensação e furor nos Estados Unidos e na Europa, e reacendendo, em certa medida, o interesse pelo Jesus histórico. E mais uma vez a polêmica acerca de Jesus foi reacendida, desta feita ganhando até a capa de revistas internacionais como Time, Newsweek e U.S. News & World Report, e do Brasil, como Veja e Isto É. Ao final, o Jesus do simpósio é uma mistura de sábio tímido, modesto demais para falar de si mesmo ou de sua missão neste mundo. A pergunta é: como uma pessoa assim conseguiu ganhar o ódio dos judeus e acabar sendo crucificada, um fato que até os antigos liberais radicais reconhecem como histórico?

Várias outras tentativas têm sido feitas cm tempos recentes para se descobrir o Jesus que realmente existiu por detrás daquele que é representado nos textos dos Evangelhos. Ele tem sido retratado diferentemente como profeta e libertador social, simpatizante dos Zelotes e de suas idéias libertárias, reformador social por meio pacíficos e espirituais, pregador itinerante carismático e radical, instigador de um movimento, de reforma, libertador dos pobres, "homem, do Espírito", que tinha visões e revelações e uma profunda intimidade com Deus, de quem recebia poder para curar, fazer milagres e expelir demônios. Um hasside, homem santo da Galileia, um judeu piedoso, uma figura carismática, um operador de milagres, movendo-se fora do ambiente oficial e tradicional do judaísmo, um exorcista poderoso e bem sucedido - o catálogo é interminável. Mas todas essas tentativas têm uma coisa em comum: para seus autores, o Jesus pintado pelos Evangelhos é o produto da imaginação criativa e piedosa, da fé dos discípulos de Jesus. Os defensores destas idéias partem do conceito de que a Bíblia nos oferece um quadro distorcido do verdadeiro Jesus.

De volta ao Jesus sobrenatural

Entretanto, é preciso mais do que teorias, como estas que acabei de expor, para tornar convincente a tese de que a comunidade cristã inventou tanto material sobre Cristo, e que ela mesma acabou crendo em sua mentira. É quase inconcebível que uma comunidade tenha criado material histórico para dar sustentação histórica à sua fé. Uma comunidade que dá tal importância aos fatos históricos, não os criaria! Além do mais, essas teorias não levam em conta o fato de que os eventos e ditos de Jesus foram testemunhados por pessoas que estiveram com Ele, e que essas testemunhas oculares certamente teriam exercido uma influência conservadora na imaginação criativa da Igreja. Também ignoram o fato de que os líderes iniciais da comunidade os apóstolos, estiveram com Jesus e muito perto dos fatos históricos para dar asas à livre imaginação. Também deixa sem explicação o alto grau de unanimidade que existe entre os Evangelhos. Se cada Evangelho é o produto da imaginação criativa da igreja, como explicar diferenças entre eles? E se é o produto de comunidades isoladas, como explicar as semelhanças? Essas teorias são especulações e nada podem nos dar de evidência concreta. Portanto, continuamos a crer nas evidências internas e externas de que os Evangelho dão testemunho confiável do Jesus histórico, que é o mesmo Cristo da fé. Entretanto, o ceticismo crítico desses estudiosos influenciou de tal maneira os seminários que introduziu na Igreja de Cristo uma semente que produziu seu fruto amargo: um Evangelho e um Cristo, fruto da imaginação da Igreja, e que, portanto não tinham. poder, vitalidade nem respostas para as questões humanas. Resultado: igrejas esvaziadas por toda a Europa, em uma geração.

Queira Deus guardar as igrejas brasileiras dessas pessoas, e firmá-las cada vez mais no Senhor Jesus Cristo, fielmente retratado nas páginas dos Evangelho.




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A DOUTRINA DA ELEIÇÃO


A DOUTRINA DA ELEIÇÃO 

Na eleição Deus não é parcial e não faz acepção de pessoas
 Alguém que "faz acepção de pessoas", é alguém que, atuando como juiz, não trata aqueles que vêm ante ele conforme seu caráter, senão que nega a uns o que justamente lhes pertence e dá a outros o que não é justamente deles – isto é, é alguém governado pelo prejuízo e por motivos sinistros, e não pela justiça e pela lei. As Escrituras negam que Deus faça acepção de pessoas neste sentido; e se a doutrina da predestinação apresenta Deus atuando desse modo, teremos que admitir que Deus é injusto.

As Escrituras ensinam que Deus não faz acepção de pessoas, porque Ele não escolhe um e rejeita outro com base em circunstancias externas como raça, nacionalidade, riquezas, poder, nobreza, etc. Pedro diz que Deus não faz acepção já que Ele não faz distinção entre judeus e gentios. Sua conclusão após ser divinamente enviado a pregar ao centurião romano, Cornélio, foi, "Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável" (At 10.34,35). Através de toda sua história os judeus creram que como povo eram objetos exclusivos do favor de Deus. Uma leitura cuidadosa de Atos 10.1 a 11.18 revelará quão revolucionária era a idéia de que o evangelho haveria de ser pregado aos gentios também.

Paulo, igualmente, diz, "glória, porém, e honra e paz a todo aquele que pratica o bem; ao judeu primeiro, também ao grego. Porque para com Deus não há acepção de pessoas" (Rm 2.10.11). E, novamente, "Já não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há varão nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus". Logo acrescenta que não são os judeus externamente, mas aqueles que são de Cristo os que, no sentido mais profundo, pertencem a "linhagem de Abraão", e "herdeiros segunda a promessa" (Gl 3.28,29). Em Efésios 6.5-9 ordena os servos e senhores a se tratarem com justiça; por que Deus, que é Senhor de ambos, não faz acepção de pessoas; e em Colossenses 3.25 inclui igualmente as relações entre pais e filhos e entre esposas e esposos. Tiago diz que Deus não faz acepção de pessoas porque não faz distinção entre rico e pobre, nem entre aqueles que usam vestiduras finas e os que se vestem com simplicidade (Tg 2.1-9). O termo "pessoa" nestes versículos significa, não o homem interior, ou a alma, mas a aparência externa, que tão freqüentemente influi tanto em nós. Portanto, quando as Escrituras afirmam que Deus não faz acepção de pessoas, isto não significa que Deus trata a todos por igual, senão que a razão pela qual Ele salva um e rejeita outro não é porque um seja judeu e o outro gentio, ou porque um seja rico e o outro pobre, etc.

Se todas as pessoas fossem inocentes, Deus seria injusto e se deixaria levar de respeitos humanos se as tratasse de maneira desigual, salvando umas e condenando as demais. O fato, no entanto, é que todos são pecadores e nada merecem de Deus.

Deus é misericordioso para com aqueles a quem salva, sem ser injusto para com aqueles a quem condena, visto como podia ter condenado a todos sem ser injusto. Quando a Bíblia diz que Deus não faz acepção de pessoas, não quer dizer que Ele não distingue pessoas, dando a uns o que nega a outros. 


Que todas as pessoas não têm os mesmos dons e as mesmas oportunidades é um fato inegável. Sabemos existir muita gente que nunca teve oportunidade de ouvir o Evangelho, e nações inteiras, durante séculos, foram privadas desse privilégio. Quando a Bíblia diz que Deus não faz acepção de pessoas quer dizer que ele não faz distinção por motivo de raça, riqueza, condição social, etc., e também que Ele recompensará cada um de acordo com as suas obras. Veja-se Atos 10.34; Romanos 2.11; Tiago 2.9 e 1 Pedro 1.17. Nenhuma diferença faz entre judeus e gentios; julgará a todos de conformidade com as obras de cada um, visto como não faz acepção de pessoas. Mas nossa salvação não é algo devido aos nossos méritos; procede da graça divina. A este respeito Deus pode dizer o que o proprietário, respondendo, disse: "Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? Toma o que é teu, e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti. Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque os meus são bons?" (Mt 20.13-15).

O decreto divino da eleição não pode ser acusado de parcialidade, porque isto só é cabível quando uma parte tem o que exigir de outra. Se Deus fosse obrigado a perdoar e salvar o mundo inteiro, seria parcial se salvasse apenas alguns e não todos. Parcialidade é injustiça. Um pai é imparcial e injusto se desconsidera direitos e exigências iguais de todos os seus filhos. Um devedor é parcial e injusto se, no ato de pagar a seus credores, favorece uns às custas dos outros. Nestes casos uma parte tem certa reivindicação a fazer sobre a outra. Mas é impossível Deus mostrar parcialidade em salvar do pecado, porque o pecador não tem qualquer direito ou reivindicação a apresentar.

A afirmativa de que Deus é obrigado, seja nesta vida, seja na outra, a oferecer perdão de pecados mediante Cristo a todo o mundo, não apenas não tem apoio na Escritura, como é contrário à razão, visto como transforma a graça em dívida, envolvendo o absurdo de que, se o juiz não oferece perdão ao criminoso, contra quem lavrou sentença condenatória, não o trata com equidade.

CONCLUSÃO

A eleição ou predestinação é a missão resgate de Deus, pois Deus não deixou todo o gênero humano perecer no estado de pecado e miséria que merecia. A doutrina da eleição não é uma filosofia cega. É construída, sustentada e revelada pela Palavra de Deus. Veja por exemplo Deuteronômio 7.6-9; Atos 13.48; Romanos 8.29,30; Efésios 1.4,5; 2 Tessalonicenses 2.13; 2 Timóteo 2.10; Tito 1.2, etc. Esta eleição, conforme dizem corretamente os teólogos calvinistas, é "incondicional", isto é, Deus elege independente de méritos, fé ou obras do indivíduo. E isto só é possível porque a eleição é um ato gracioso de Deus (Rm 11.5). Sendo assim, devemos compreender que a eleição divina nunca é uma questão de justiça. Portanto, erram aqueles que dizem que Deus seria injusto se escolhesse alguns e não todos para a salvação. A eleição é questão de graça. A condenação sim, é questão de justiça.

Mas ninguém poderá entender a doutrina bíblica da eleição se não compreender adequadamente a doutrina bíblica do pecado. Porque "a pressuposição do eterno decreto divino da eleição é que a raça humana é caída; a eleição envolve o plano gracioso de Deus para o resgate" (Fred H. Klooster). Você acredita realmente que todos pecaram em Adão (cf. Rm 5.12) e que ninguém é merecedor da vida eterna? (cf. Rm 3.23). Se a sua resposta for afirmativa, então esteja certo de que nunca poderá entender a eleição como sendo injustiça. Deus teria sido perfeitamente justo se não elegesse ninguém (cf. Mt 20.14,15; Rm 9.14,15); no entanto, Ele quis, soberanamente, mostrar para alguns o Seu favor imerecido. Por isso, Paulo fala da "eleição da graça" (Rm 11.5). Na verdade, tudo que recebemos de bom é pura expressão da graça de Deus para conosco, como por exemplo, o arrependimento para a vida eterna (At 11.18), a salvação em Cristo (At 15.11; Ef 2.8,9) e o serviço cristão (1 Co 15.10; Ef 2.10).

Deus também não faz acepção de pessoas, porque Ele não escolhe uma pessoa e rejeita outra com base em circunstâncias externas como raça, nacionalidade, riquezas, poder, nobreza, etc. O fato de Deus não salvar todo mundo só confirma a tese de que Ele não é obrigado a salvar todo mundo. Graça não é dívida; é graça!

É importante esclarecer que a eleição divina não é a salvação; é para a salvação (2 Tm 2.13; 2 Tm 2.10). E entre ambas (eleição e salvação) está a evangelização, servindo de ponte para ligar duas partes inseparáveis (Rm 10.14-17; cf. At 18.9-11). Com isto aprendemos que não procede o falso conceito de que se uma pessoa é eleita, ela será salva independentemente de crer ou não em Cristo pelo evangelho. Pensar assim seria simplesmente um absurdo! Como também não procede a idéia de que esta doutrina da eleição "acomoda o crente para a evangelização". A eleição, conforme a Bíblia também ensina, é para serviço (cf. 1 Pe 2.9; 2 Pe 1.10). "Serviço" aqui deve ser entendido no mais amplo sentido do termo: evangelização, ação social, etc; portanto, somente os desavisados acreditariam que a eleição acomoda o crente para a obra de Deus. Lendo 2 Timóteo 2.10, aprendemos que para Paulo a eleição incentivava a evangelização ("tudo suporto por causa dos eleitos", dizia) e garantia os bons resultados da evangelização ("para que também eles [como os demais crentes] obtenham a salvação que está em Cristo Jesus com eterna glória"). Não é verdade que o apóstolo que mais defendeu a doutrina da predestinação foi um dos que mais trabalhou na obra de Deus? (1 Co 15.9,10).

Além da salvação e o serviço propriamente ditos, a eleição tem, ainda como finalidade, a santidade de vida (Ef 1.4). A eleição é "para sermos santos". Deste modo, também não tem sentido a objeção de que a certeza de salvação que a eleição produz leva à libertinagem. A vida que não se expressa em santidade é incompatível com a doutrina bíblica da eleição (cf. 2 Pe 1.3-11).

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